Startup cria máquina que serve chope de baixo para cima

Com tecnologia que elimina desperdício, ChoppUP capta R$ 4 milhões em rodadas de investimento

Conforme a empresa, tecnologia oferece um aumento de 20 a 25% no rendimento do barril, além de acompanhamento de vendas online com dados capturados por dispositivos de telemetria e autosserviço (Foto: Divulgação)

Conforme a empresa, tecnologia oferece um aumento de 20 a 25% no rendimento do barril, além de acompanhamento de vendas online com dados capturados por dispositivos de telemetria e autosserviço (Foto: Divulgação)

Liderada por entusiastas do mercado cervejeiro e tecnológico, a ChoppUP – startup brasileira de IoT (Internet das Coisas), desenvolvedora de equipamentos de alta eficiência para dispensamento de líquidos e prestadora de serviços de monitoramento de dados – inovou ao criar uma máquina que serve chope de baixo para cima, eliminando desperdícios. Os produtos e serviços são ofertados em um modelo de assinatura para bares e restaurantes (PDVs), que conforme a empresa se beneficiam com um aumento de 20 a 25% no rendimento do barril, além de acompanhamento de vendas online com dados capturados por dispositivos de telemetria e autosserviço. A empresa expandiu a produção, abriu 20 franquias no país e iniciou sua atuação no Exterior.

Com R$ 4 milhões já captados em duas rodadas de investimento nos últimos dois anos, a ChoppUP registra uma valorização de 50% entre uma rodada e outra. Ambas contaram com aportes tanto de investidores-anjo profissionais como aqueles vindos por meio de uma plataforma online de financiamento coletivo de capital (equity crowdfunding).

Rodrigo Moreira, Founder da ChoppUP, explica:

"O primeiro aporte de capital na empresa foi realizado pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), do Ministério da Ciência e Tecnologia, por meio do programa Inovacred e com recursos repassados pela Desenvolve SP. Para conseguir este subsídio, o projeto passou pelo rigoroso crivo do Instituto Paula Souza para ser classificado como inovador e disruptivo. Crescemos 150% no segundo ano de operação, e estamos crescendo 35% por trimestre. A estimativa é alcançar passos ainda mais largos e, em 2022, atingir uma receita líquida de R$ 250 milhões no mercado doméstico. O Brasil conta com mais de 1 milhão de PDVs, o que representa um mercado endereçável de R$ 9 bi/ano com nossas linhas de negócios atuais."

Este ano, a ChoppUP foi classificada como uma startup de destaque no relatório da Liga Insights para Food Tech, dentro da categoria de Serviços para Bebidas, cujo objetivo é compreender como o setor de alimentos e bebidas está inovando no país e quais as startups que estão contribuindo para isso. Foram consideradas 12.213 empresas brasileiras, e a ChoppUP foi uma das 332 que estão se destacando pelo valor que agrega a este segmento.

Para os próximos cinco anos, a startup planeja lançar novas linhas de negócios que aumentem o potencial de mercado, com produtos para uso doméstico, novas soluções de embalagem e o desenvolvimento de softwares que utilizam os dados capturados pela telemetria dos equipamentos para trazer maior inteligência a toda a cadeia de valor, desde a produção até o consumidor final.

Como começou

Após quatro anos de pesquisas, Rodrigo Moreira e seu pai, Djalma Moreira, CEO e Founder, entre 2011 e 2014, desenvolveram o primeiro protótipo e montaram a fábrica com um investimento inicial de R$ 900 mil. Em 2015, realizaram o patenteamento nacional e internacional, e, logo após, receberam o financiamento subsidiado do Ministério da Ciência e Tecnologia e o aporte de capital de seus primeiros investidores independentes. O projeto foi protegido por 9 patentes depositadas no Brasil e com direitos de preferência em mais de 150 países, por meio do Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes (PCT).

Em 2016, a ChoppUP iniciou a fabricação em série e atuação no setor de eventos. No ano seguinte, lançou um modelo de negócios pioneiro que se tornou o principal vetor de crescimento da empresa: a assinatura de equipamentos para PDVs, e a terceirização da estrutura de chope. Os assinantes pagam pelos equipamentos e pelos serviços prestados com uma mensalidade, sem investimento inicial.

O CFO, Bruno Salman, comenta:

"Nossos clientes percebem que o valor da mensalidade é rapidamente compensado por uma redução de custos ocultos comuns ao setor, nomeadamente pela redução de desperdícios e de fraudes. No fim do dia, geramos mais economias do que custamos ao cliente."

A startup fechou o ano de 2018 com mais de 200 clientes ativos e presença em 18 estados brasileiros, tendo atingido regime de ponto de equilíbrio financeiro no mesmo ano.

"Encontramos o product/market fit com o negócio de assinaturas para os bares e restaurantes, mercado que nos traz um potencial muito grande a ser trabalhado. Para crescer à altura da demanda que já se apresenta, faremos a nossa 3ª rodada de investimentos neste ano", complementa Bruno.

Como funciona

O desperdício das chopeiras gira entre 11% e 38%. Com a solução da startup, conforme os criadores da nova tecnologia, por meio de uma válvula acoplada no fundo dos copos e canecas, de vidro, plástico ou metal, é possível derrubar este desperdício e aproveitar até 99% do barril. O manuseio via computador e aplicativo permite que o comerciante controle volume e colarinho eletronicamente, realize a leitura remota em tempo real do serviço e a quantidade de chopes vendidos, evitando fraudes e perdas que são detectadas pelo sistema. O equipamento é integrável a sistemas de pagamento e de gestão dos PDVs, viabilizando uma operação de autosserviço. E hoje, a tecnologia atende qualquer líquido embarrilado, como chope, água tônica e drinks.

Tomados no conjunto, os produtos e serviços da ChoppUP impactam diretamente na eficiência operacional dos pontos de venda, racionalizando atividades repetidas há décadas.

"Nosso produto endereça uma ineficiência própria deste setor da indústria, que hoje conta com um parque de equipamentos obsoletos. Com nossa clara proposta de valor, estamos crescendo tanto através da substituição deste parque como pela instalação nos novos entrantes no mercado", afirma Gil Neto, CCO e Co-founder.