Cristal Blumenau anuncia a volta

Novos gestores confirmam a retomada da produção, com a anulação da autofalência

Para reagir à concorrência de importados, empresa catarinense nos últimos anos apostou na produção para cervejarias artesanais (Foto: Divulgação)

Para reagir à concorrência de importados, empresa catarinense nos últimos anos apostou na produção para cervejarias artesanais (Foto: Divulgação)

Em mensagem divulgada nas redes sociais, a Cristal Blumenau anuncia, neste 6 de março, véspera do início do Festival Brasileira da Cerveja, a retomada da empresa. Depois de encerrar as atividades em janeiro em consequência da crise financeiras, a fábrica ganhou uma chance de recuperação. Assembleia em 2 de fevereiro anulou decisão anterior de encaminhar a autofalência da empresa e elegeu uma nova diretoria. A nova fase será liderada por Tercílio César Longo, profissional com experiência em processos de reestruturação de companhias em dificuldades financeiras. Longo foi indicado por credores da Cristal Blumenau que ainda acreditam na viabilidade do negócio.

Abaixo, confira o comunicado postado pela Cristal Blumenau:

Comunicado aos clientes

A Cristal Blumenau está de volta!

Depois de passar por um final de 2017 difícil com o anúncio do encerramento das atividades, agora, a tradição está de volta! Novos gestores assumiram a direção da empresa e estamos aos poucos retomando nossa produção, visando melhorar nossa qualidade e expertise. Como estamos ainda conhecendo todos os processos internos, pedimos desculpas de antemão, por eventuais atrasos e falhas na entrega dos pedidos.

Estamos trabalhando intensamente para resolver todas as dificuldades e entregar nossos produtos com qualidade e com a maior rapidez possível. Pedimos a gentileza que nos comuniquem sobre quaisquer problemas, para que possamos prontamente resolvê-los.

Ficamos sempre à disposição!

É a Cristal Blumenau voltando!

Algumas reformas na fábrica da Rua 2 de Setembro estão sendo feitas, como reparos em fornos. Há tendência de recontratação de ex-funcionários quando todos os estudos de viabilidade forem finalizados. Os trabalhadores haviam sido dispensados com dois meses de salários e outros direitos trabalhistas atrasados.

A Cristal Blumenau é uma das indústrias mais marcantes no segmento cervejeiro do Brasil. Os empregados, com salários atrasados, haviam se reapresentado na quarta-feira 4 de janeiro, mas decidiram suspender as atividades até a segunda-feira seguinte depois de conversa com o administrador. A reunião marcada na segunda-feira, 8 de janeiro, entre direção e representantes dos trabalhadores, serviu apenas para definir como serão feitas as rescisões dos cerca de 150 trabalhadores.

A cervejeiros da região da cidade catarinense, o então presidente da empresa, Ednaldo Machado, explicara que a situação financeira da empresa se agravou e que o segmento por dificuldades pelos altos custos de produção, sobretudo mão de obra e energia, e pela concorrência de copos e taças de vidro importados. Em sua tentativa de se reerguer, nos últimos anos a Cristal Blumenau vinha apostando na produção de copos e taças de cristal personalizados para cervejarias.

O encerramento das atividades já havia sido cogitado internamente um ano antes, no início de 2016, mas a direção acabou sendo convencida a dar uma última chance para o cristal. Foi sob o comando de Ednaldo Machado, sommelier de cervejas, que a empresa começou a produzir copos e taças personalizados para cervejarias. A estratégia deu sobrevida à companhia por mais alguns meses mas não o suficiente para salvá-la.

Os custos da operação continuaram crescendo – só a mão de obra, essencialmente artesanal, demanda 70% das despesas – e a empresa já vinha parcelando salários. A concorrência com produtos importados da China e do Leste Europeu era desleal e a Cristal Blumenau não tinha margem para aumentar preço no mercado.

Para agravar a situação, fornos quebraram ao longo do último ano, reduzindo a produção e, como consequência, a entrada de receitas – um baque de pelo menos R$ 1 milhão, calcula Machado.

— A gente não suportou o tamanho das contas com o faturamento que vinha tendo — lamentou Machado.

Há meio ano outra representante tradicional do ramo, a Strauss, fechou as portas, com dívidas de R$ 117 milhões. Os bens da Strauss foram vendidos em leilão para a Oxford, fabricante de porcelanas de São Bento do Sul, em dezembro. A compradora cogita reativar a marca.