Heineken compra 40% da maior cervejaria da China

Marca holandesa desafia a concorrente AB-InBev ao avançar em um cobiçado mercado

 Assim como a Heineken entrou no estratégico mercado chinês, também cervejarias artesanais começam a negociar com o país asiático (Foto: Divulgação)

Assim como a Heineken entrou no estratégico mercado chinês, também cervejarias artesanais começam a negociar com o país asiático (Foto: Divulgação)

A Heineken está em processo de aquisição de uma participação de US$ 3,1 bilhões da China Resources Beer, a maior cervejaria da China. É um movimento de mercado para desafiar a posição da Anheuser-Busch InBev como a maior fabricante de cerveja do mundo. Concluída a compra, a cervejaria holandesa terá uma participação de 40% da China Resources Beer Holdings, fabricante da Snow, a marca mais vendida do país. A mudança dá à Heineken uma forte parceira local em um mercado que engloba cervejas importadas.

O mercado de cerveja chinês tem atraído não apenas as gigantes multinacionais, mas até artesanais brasileiras, como o caso da Blondine, de Itupeva (SP). A cervejaria paulista está exportando para o país asiático. A meta é de que vá para o Exterior 50% da produção da cervejaria, o que equivale a 250 mil litros mês.

No mercado chinês, o segmento das cervejas ainda é dominado por marcas domésticas acessíveis como a Snow. Mas opções mais caras, como a Heineken e a Budweiser, da AB InBev, estão impulsionando o crescimento, com previsão de aumento em 21% para US$ 106 bilhões no mercado em apenas quatro anos.

A tendência é que as cervejas de luxo beneficiem os produtores estrangeiros, já que o produto é visto como de melhor qualidade. Segundo declaração reproduzida pela agência Bloomberg, o diretor executivo da Heineken, Jean-Francois van Boxmeer, disse que a China Resources Beer não tem uma marca premium para o crescimento, e que a Heineken, por sua vez, não tem o alcance de distribuição que eles têm.

A AB InBev, por sua vez, vem conquistando o mercado premium e detém uma participação de 16% no total. Ela expandiu o selo da Budweiser ao comprar marcas de cervejas artesanais locais e comercializar a marca Goose Island para os chineses que vivem nos centros urbanos.

As ações da China Resources Beer caíram até 2,7% em Hong Kong, reduzindo seu ganho no ano para 24%, enquanto a Heineken subiu até 1,7% em Amsterdã. As operações da Heineken no país serão combinadas com as da China Resources Beer, e a cervejaria holandesa licenciará sua marca para o parceiro chinês em uma base de longo prazo. A controladora da China Resources Beer adquirirá ações da Heineken no valor de cerca de 464 milhões de euros (US $ 538 milhões). A empresa holandesa disponibilizará seus canais de distribuição global para as marcas da China Resources, incluindo a Snow.

O acordo oferece oportunidades na China Resources Beer para as marcas Snow e Heineken. O executivo-chefe da companhia, Hou Xiaohai, disse que a empresa pretende elevar as marcas da Snow, enquanto constrói a Heineken como a marca número 1 do mercado de alta qualidade da China.

A Heineken tem lutado para construir sua pegada na China, com menos de 0,5% do mercado no ano passado, segundo a Euromonitor. O mercado chinês encolheu 7% em volume em relação a 2012, apesar de ter crescido 42% em valor, de acordo com dados da Euromonitor International de 2017, à medida que a crescente classe média se volta para bens mais caros, muitas vezes importados.