"Nunca digo que aquela cerveja é maravilhosa"

"Costumo perguntar o que o cliente gosta de beber, indiferentemente se cerveja, vinho, uísque"

Apaixonada por um bom bate-papo e por uma boa cerveja, Nagaia está no mercado desde 2009,  formou-s em Sommelier de Cervejas pela ABS de São Paulo. Consultora no Rio de Janeiro, já fez eventos para empresas como a Microsoft e foi palestrante em SEBRAE – Tendências e Experiências no setor de alimentação

Apaixonada por um bom bate-papo e por uma boa cerveja, Nagaia está no mercado desde 2009,  formou-s em Sommelier de Cervejas pela ABS de São Paulo. Consultora no Rio de Janeiro, já fez eventos para empresas como a Microsoft e foi palestrante em SEBRAE – Tendências e Experiências no setor de alimentação

Nagaia

Quando tenho um cliente iniciante, costumo perguntar o que ele gosta de beber, indiferentemente se cerveja, vinho, uísque... A resposta começa a me dar um parâmetro do paladar do cliente. E alguns reagem intrigados "Como é que você vai me ajudar com cerveja, se você está perguntando sobre outras bebidas?" Explico: geralmente quem gosta de beber vinho tem uma intolerância ao amargor do lúpulo. Para as pessoas que gostam de beber uísque, você já pode trazer uma cerveja mais maltada.

Costumo usar os seguintes conceitos: dentro do vinho, vou mais para a escola belga, para que eles percebam a complexidade de aroma e amargor. Entendo que, no caso do vinho, eles estão procurando uma bebida que tenha um corpo mas não tenha um amargor de lúpulo presente. Uma Blonde, uma Tripel... Para apreciadores de uísque, a tendência é indicar uma Doppelbock, uma Dubbel, uma Brown Ale. Já busco um pouco do malte torrado mas não necessariamente uma Stout ou uma Porter porque aí a gente já está partindo para os extremos. Quando o cliente está começando, indico nunca partir para os extremos.

E, entre os clientes que gostam de drinks (vodka), brinco que não dá para arriscar muito. São clientes que têm gosto muito sutil, então eu parto para as Weiss e as Witbier. Também faço um alerta em relação a isso: mesmo quando você escolhe uma Weizen, há rótulos que puxam mais para o cravo, ou são mais equilibrados. Toda vez que faço essa pergunta para o cliente, eu explico o que ele vai esperar daquela cerveja. Nunca digo que aquela cerveja é maravilhosa, a melhor do mundo - isso é outra roubada. Porque o cliente pode beber e não gostar.

E gosto de dizer que o cliente tem de experimentar e descobrir, para que ele descubra os estilos de que mais gosta de beber e não tenha tanto medo de arriscar.

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