Cerveja

Como se iniciar em cervejas artesanais: veja as dicas de 4 experts

Como Bia Amorim, Daniel Wolff, Gabriela Montandon e Nagaia conduzem a descoberta

Bia Amorim, Daniel Wolff, Gabriela Montandon e Nagaia contam como estimulam a descoberta de aromas e sabores do universo da cerveja - para quem está disposta a ela (Fotos: Divulgação)

Bia Amorim, Daniel Wolff, Gabriela Montandon e Nagaia contam como estimulam a descoberta de aromas e sabores do universo da cerveja - para quem está disposta a ela (Fotos: Divulgação)

Altair Nobre

Não existe nenhuma lei dizendo que todo adulto de bom gosto tem de apreciar cerveja artesanal. Assim como ninguém deve ser punido por preferir as populares American Light Lagers. Mas é um crime desestimular um potencial consumidor de artesanais com uma experiência malconduzida. Para ajudar a evitar essa perda, a revista Beer Art, que mantém uma seção de Dicas, recorreu a quatro especialistas com anos e hectolitros de experiência para compartilhar dicas de como fazer uma iniciação entre centenas de opções de estilo, aromas e sabores de cerveja.

Foram consultados (em ordem alfabética) Bia Amorim, Daniel Wolff, Gabriela Montandon e Nagaia. As dicas, válidas tanto para o consumidor iniciante quanto para o sommelier destacado para orientá-lo, são complementares. Cada especialista conta como conduz a iniciação e os cuidados adotados. Confira.

Três momentos para a descoberta do paladar

BIA AMORIM*

Bia Amorim é empresária, formada em Hotelaria pelo Senac de Águas de São Pedro, pós em Gestão de negócios em serviços de alimentação e especialização em Sommelier de Cervejas pelo Senac/Doemens. Começou na área de cervejas em 2010, como gerente de marketing da Cervejaria Colorado. Atua na área de cerveja e gastronomia na Por Obséquio, empresa de assessoria gastronômica. Colunista dos sites Papo de Homem e Mixology News. Guia etílica. Publisher da Farofa Magazine. Mãe do Matheus.

Bia Amorim é empresária, formada em Hotelaria pelo Senac de Águas de São Pedro, pós em Gestão de negócios em serviços de alimentação e especialização em Sommelier de Cervejas pelo Senac/Doemens. Começou na área de cervejas em 2010, como gerente de marketing da Cervejaria Colorado. Atua na área de cerveja e gastronomia na Por Obséquio, empresa de assessoria gastronômica. Colunista dos sites Papo de Homem e Mixology News. Guia etílica. Publisher da Farofa Magazine. Mãe do Matheus.

Quem está descobrindo o mundo da cerveja artesanal tem uma avalanche de novas informações para se adaptar em vez de simplesmente escolher entre meia dúzia de marcas por um sabor parecido. Aceitar sugestões, mais do que olhar o que está na moda no meio cervejeiro, é um bom início. As prateleiras estão cheias de novidades, mas como escolher nessa trama que é sabor X conhecimento X disponibilidade X custo?

PRIMEIRO MOMENTO

Fugindo um pouco de custo, localização, rótulo e cervejaria, as primeiras indicações podem ser com relação aos sentidos e nossa percepção de paladar.
Para quem está começando, costumo indicar cervejas que tenham aromas mais florais e cítricos ou então aromas com notas de chocolate e café. Pensando nisso, a cor não importa muito, importante é talvez estar no meio termo de tudo. Nem muito amarga, nem muito doce. Estilos como Witbier, Helles, Weiss, Marzen, Vienna Lager, Schwarzbier, Pale Ale (não as que puxam para americanas), Dry Stout e Brown Porter podem ser boa pedida.

SEGUNDO MOMENTO

Tendo também já percebido que cerveja não é só aroma e sabor, podemos incluir outras sensações táteis, escolhendo estilos que trabalham com as diferentes carbonatações, por exemplo. Nem toda cerveja é tão refrescante assim, por isso agora as mais altas graduações alcoólicas podem ser experimentadas, causar certo aquecimento é bem comum nesses estilos. O amargor pode começar a ser celebrado e as frutas mostram que cerveja está além de só ter sabor de malte. Para um caminho cheio de novidades e aromas mais complexos penso nos estilos: Bohemian Pilsener, Saison, Bock, Blond Ale, Altbier, ESB, Oaltmeal Stout, IPA, Rye Beer, Berliner Weisse e Fruit Lambics.

TERCEIRO MOMENTO

Com certa experiência adquirida com hora/estilo/copo, as cervejas mais complexas serão melhores curtidas. Acontece que precisamos ter algumas bases bem formadas para conseguir compreender estilos que tem “camadas” de aromas, sabores e texturas. Além do mais, cervejas com fermentações diferentes e inusitadas fazem parte do contexto atual que vivemos e por isso aromas que causariam estranhamento no começo da jornada podem se tornar agradáveis agora. Mesmo as cervejas Lager que sempre tivemos como grandes conhecedores agora podem ser vislumbradas de outra forma. Uma cerveja de baixa fermentação muito bem feita é mais difícil do que aprender a gostar de amargor. Os estilos que eu recomendo para essa transformação na forma de apreciar a cerveja além do que imaginávamos são: Pilsen, Pils, Eisbock, Scottish heavy, Russian Imperial Stout, Imperial IPA, Bière de Garden, Flanders Red Ale, Gueuze, Straight Lambic, Barleywine, Wood Aged.

No meio do caminho ficaram um monte de rótulos que se encaixam nesses três períodos sabáticos que o degustador que quer avançar na busca da compreensão cervejeira vai passar. O papel do sommelier que faz uma sugestão é tentar traduzir por meio de palavras as expressões de sabor que vão acompanhar o gole a gole. Potencializamos algumas declarações porque o mundo precisa viver também da arte que é fabricar a bebida. Apaixonar-se por uma cerveja, ver-se em um estilo é muito mais do que saber “que gosto tem”.