Convidado

Giuliano Mendes

Autor do blog Clube de Cozinha, o jornalista busca a resposta para a seguinte pergunta: Qual será o ápice das cervejas artesanais?

"Existe um fantástico mercado de pessoas que ainda não conhecem a fundo as cervejas artesanais", destaca Giuliano Mendes (Foto: Altair Nobre/Beer Art)

"Existe um fantástico mercado de pessoas que ainda não conhecem a fundo as cervejas artesanais", destaca Giuliano Mendes (Foto: Altair Nobre/Beer Art)

Beer Art 8 - jul/14

O consumo em alta faz muitos questionarem até que ponto as cervejas artesanais podem crescer. Certamente esta é uma pergunta muito complicada para se ter uma resposta precisa. O que se pode dizer, com certeza, é que existe uma forte demanda por consumo desta bebida, visto que o setor vem passando por um “boom” semelhante ao que aconteceu com o vinícola há 15 anos.

Recentemente, um especialista em vinhos afirmou para mim que o setor cervejeiro artesanal já atingiu o auge, e a tendência agora é cair. No mesmo momento fui contrário ao posicionamento dele, dizendo que ainda existe espaço para crescer. Além disso, ele deu a entender que as cervejas artesanais estavam roubando o mercado dos vinhos. Disse a ele que a concorrência dos cervejeiros artesanais não é com os produtores de vinho, mas com as grandes cervejarias que comercializam produtos com qualidade inferior aos elaborados pelas microcervejarias.

A meu ver, existe um fantástico mercado de pessoas que ainda não conhecem a fundo as cervejas artesanais, por apenas terem experimentado uma ou outra. E justamente esta faixa da população pode alavancar ainda mais o consumo. Para um estrangeiro que visita o Brasil, ainda mais se for da Alemanha, é muito estranho constatar a pouca variedade de cervejas em bares do país. Por lá, há cidades de 5 mil habitantes com uma microcervejaria. E assim é todo país, com mais de 1,2 mil cervejarias em atividade. A partir deste exemplo alemão, caso os bares brasileiros adotassem o incentivo às microcervejas locais, colocando no mínimo um rótulo no cardápio, o consumo já teria um salto espetacular.

E as microcervejas nacionais já mostraram que produto de qualidade não é problema. Mesmo com impostos elevados, burocracia, falta de incentivos fiscais e matéria-prima escassa, entre outras dificuldades, os cervejeiros estão conquistando prêmios internacionais e reconhecimento na produção da bebida alcoólica mais consumida no mundo.