Cachaça

Inspirada na obra de Erico Verissimo, Petronius lança cachaça Serigote

Família serrana que também produz as cervejas Schatz faz homenagem ao amigo escritor

Os alambiques utilizados na destilação são os mesmos construídos por Eloy Kunz na década de 1960, com um projeto francês (Foto: Geremias Orlandi/Divulgação)

Os alambiques utilizados na destilação são os mesmos construídos por Eloy Kunz na década de 1960, com um projeto francês (Foto: Geremias Orlandi/Divulgação)

A amizade entre o autor gaúcho Erico Verissimo e a família Kunz, fundadora da Petronius Beverages, deu origem a uma cachaça tipicamente artesanal. A Serigote é um resgate à história do fim da década de 1930, quando a então Vinícola Petronius produzia exclusivamente vinhos finos e destilados e recebia visitantes vindos de outras cidades para degustações em sua sede, na época em Gramado. A Petronius Beverages se lançou ao mercado em dezembro de 2013, com a linha de cervejas Schatz (leia mais aqui).

O diretor da empresa, Emílio Kunz Neto, relembra:

“Naquele período, o escritor chegou a hospedar-se na casa da família Kunz. E, por conta desta proximidade, Erico Verissimo batizou uma das famílias que aparecem em O Tempo e o Vento com o sobrenome de origem alemã.”

O nome da família ficou eternizado na primeira parte da trilogia, O Continente, com a narração da chegada em Santa Fé, em 1833, de duas famílias de imigrantes – uma delas chefiada por Erwin Kunz.

“É com muito orgulho que nos inspiramos em uma obra que eterniza os Kunz”, explica Emílio.

O personagem tinha o apelido de Serigote, daí a inspiração da marca da primeira cachaça de alambique da Petronius Beverages.

A empresa obteve autorização da família Verissimo para a utilização de trechos da obra em seus contrarrótulos. Além disso, os rótulos serão elaborados por artistas da Serra Gaúcha e, a cada ano, trarão novos desenhos. Na estreia, o artista plástico Rafael Dambros elaborou três diferentes gravuras inspiradas em O Tempo e o Vento, usando a sua técnica de desenho com caneta esferográfica.

“A Serigote foi feita para pessoas que valorizam produtos regionais. É uma opção artesanal, com uma receita original de família”, define o executivo.

A bebida já está disponível no mercado, ao preço sugerido de R$ 60, e será vendida apenas em bares e lojas especializadas. A produção acontece na sede da Petronius, no interior de Caxias do Sul.

A origem do nome Serigote

Serigote é uma expressão regional do Rio Grande do Sul para lombilho, uma pela da sela (arreio) usada pelos gaúchos antigos. Continha duas partes mais altas que davam sustentação e conforto ao cavaleiro. O vocábulo é uma deturpação da expressão alemã: sehr gut (muito bom). Os imigrantes alemães trouxeram a inovação e quando a mostraram aos locais, estes entenderam ser esse o nome da peça.

O livro

Conheça trechos do livro reproduzidos nos contrarrótulos:

“Helga, que todos conheciam como "a filha do Serigote", parecia ficar cada vez mais bonita e gostava de andar com lenços de cores muito vivas amarrados na cabeça.”

“Naquele mesmo instante, atrás do cemitério, Rodrigo contemplava o corpo nu de Helga Kunz.”

“Outro felizardo era o Erwin Kunz - conhecido agora no povoado como ‘O Serigote’. Passava os dias a fazer lombilhos e a bater sola (...)”

A cachaça de alambique Serigote

Foto: Geremias Orlandi/Divulgação

Foto: Geremias Orlandi/Divulgação

A cachaça é elaborada com cana cultivada por pequenos produtores do interior do Rio Grande do Sul. O processo fermentativo do suco natural da cana de açúcar busca a melhor expressão aromática. Os alambiques utilizados na destilação são os mesmos construídos por Eloy Kunz na década de 1960, com um projeto francês, que garantem uma fina destilação e resultam em uma cachaça branca leve e aromática.