A melhor cerveja Lager do mundo é brasileira

Conheça a trajetória da cervejaria que se consagrou com o World Beer Awards 2016

A revelação do World Beer Awards 2016 é a Hausen Bier, uma cerveja escura que desafia preconceitos (Fotos: Divulgação)

A revelação do World Beer Awards 2016 é a Hausen Bier, uma cerveja escura que desafia preconceitos (Fotos: Divulgação)

Altair Nobre

O brasileiro ama Lager. Nove de cada 10 goles de cerveja ingeridos no país são dessa família etílica. Não seria de estranhar, portanto, que a melhor Lager do mundo fosse brasileira. Porém, ela não é a Skol, a Brahma, ou a Kaiser. Em vez dessas marcas populares, o título, consagrado pelo World Beer Awards 2016 em 23 de setembro, é de uma microcervejaria do interior de São Paulo. Com a Hausen Dunkel, ela superou marcas veneradas em nações de alta reputação cervejeira. Nesta matéria, a Beer Art reconta a trajetória até essa façanha.

 
 

A Hausen Dunkel é da mesma família das cervejas citadas ao alto, mas é um parente bem diferente. A começar pela cor. "Dunkel", em alemão, quer dizer "escuro/a". Mas não é como as chamadas "Malzbier". É uma Schwarzbier, ao estilo alemão, com sabor refinado e final seco, bem diferente do conceito vulgar de cerveja preta. É 100% malte, sem nenhum adjunto, e sem nenhuma pressa na fermentação e na maturação (leva 21 dias para ser produzida). A receita se completa apenas com lúpulo, levedura e água, ou seja, é produzida como manda a "Lei da Pureza", o código alemão que completou 500 anos em 2016.

"Há um certo preconceito em torno de cerveja escura. A Hausen Dunkel não tem nada a ver com as bebidas enjoativas. É puro malte, com malte base Pilsen, três tipos de maltes especiais torrados, tem corpo médio e final seco", explica André Afáz, o cervejeiro, que com Leandro Pissinatti, ex-colega de Engenharia de Alimentos, fundou a Hausen Bier, em 2011, em Araras.

O malte claro (Pilsen). Foto: Divulgação

O malte claro (Pilsen). Foto: Divulgação

Malte escuro (Foto: Divulgação)

Malte escuro (Foto: Divulgação)

Por enquanto, a Hausen Dunkel é um prazer para poucos, pois sua produção anual é de 20 mil litros, o que caberia, e com folga, em apenas um tanque da Ambev. André, 31 anos, faz cerveja há 10 anos (ou um terço de sua vida). Começou em casa, em Campinas, entre as panelas que seu pai mantinha desde os anos 80 − uma época em que ser homebrewer era visto por muitos como algo excêntrico.

Quando estudava na Universidade de São Paulo (USP), em Pirassununga, André compartilhava com os colegas de república a evolução de seu aprendizado como cervejeiro. O hobby se transformou em negócio, mas manteve a busca pela superação nas receitas. A Hausen Dunkel começou a nascer com a admiração que os dois sócios tinham pela Eisenbahn Dunkel − uma das cervejas mais premiadas do país, em 2007 estreou no pódio com um bronze no European Beer Star. A partir da referência, foram aprimorando a receita.

Ao participar pela primeira vez do World Beer Awards, a Hausen Bier superou a inspiradora. A conquista promete uma mudança de rota na trajetória de consumo dessa cerveja hoje praticamente restrita ao território de São Paulo. Por ironia, é a menos consumida da linha de seis rótulos da Hausen. Pelo menos, era até o dia 23 de setembro de 2016.

Mais imagens da produção da Hausen Dunkel