Cerveja, Destaque

Cerveja da Trópica vai ajudar refugiados

Cervejaria carioca desenvolveu uma Kölsch, com quatro tipos de malte, entre eles uma pequena porcentagem de malte de trigo, e uma trinca de lúpulo alemães (Fotos: Divulgação)

Cervejaria carioca desenvolveu uma Kölsch, com quatro tipos de malte, entre eles uma pequena porcentagem de malte de trigo, e uma trinca de lúpulo alemães (Fotos: Divulgação)

Edição limitada se chamará Mali, um dos países de origem das famílias abrigadas pelo Brasil

Uma das novidades do Downtown Oktoberfest, de 29 de outubro a 1º de novembro no Rio, a Trópica Mali nasceu com um propósito de solidariedade internacional. Conforme sua criadora, a cervejaria carioca Trópica, de cada chope vendido no festival, R$ 1,00 se destina ao Instituto de Reintegração do Refugiado (Adus).

Conforme Bernardo Guttmann, sócio da marca, o objetivo é provocar uma reflexão e ajudar na sensibilização da sociedade brasileira quanto à situação dos refugiados no Brasil. Será criado também um hotsite para estimular contribuições financeiras e captação de voluntários.

“Nos sensibilizamos com a crise migratória envolvendo refugiados mundo afora e resolvemos olhar para a questão aqui no Brasil. Reconhecemos a importância em acolher de forma humanitária o refugiado, buscando sua reintegração, valorização e inserção social, econômica e cultural”, ressalta Guttmann.

A cerveja recebeu a numeração “00” por se tratar de uma edição sazonal e fazer alusão à alta prioridade e importância do tema. Batizando a nova fórmula de Mali – um dos países traumatizados pela ação de grupos islâmicos radicais –, a Trópica manteve o costume de nomear seus rótulos com lugares que estejam entre os trópicos e tragam uma nova descoberta.

Os sócios da Trópica acreditam que Mali, localizado ao sul do deserto do Saara, mereça ser conhecida pela sua música e pela cultura de seus povos tradicionais.

“Conseguimos unir um pouco dessa história com um singelo pedido de ajuda em um novo produto que tem tudo para conquistar o público, inicialmente, no festival”, afirma Guttmann.

O cervejeiro Leandro Ajuz acrescenta:

“Para brindar essa iniciativa, nos inspiramos no estilo da cerveja alemã Kölsch, típica da cidade de Colônia. Na receita da Trópica Mali, são utilizados quatro tipos de malte, entre eles, uma pequena porcentagem de malte de trigo, que confere à cerveja uma espessa espuma e um equilíbrio no sabor. O uso de uma trinca de lúpulo alemães proporcionam um frescor e amargor equilibrados.”

Ao tomar conhecimento de que o Brasil tem hoje cerca de 8,5 mil refugiados de 81 nacionalidades e os pedidos de refúgio têm crescido bastante nos últimos anos e "por acreditar na capacidade de mobilização e colaboração da comunidade cervejeira", a Trópica enxergou uma oportunidade para ser uma percursora de um processo de sensibilização quanto ao tema. Além de manter um relacionamento com o Adus, a Trópica pretende apoiar outras causas.

Sobre a iniciativa, conforme declaração reproduzida pela cervejaria, o diretor executivo do Adus, Marcelo Haydu, afirma:

“Para a gente foi uma surpresa enorme e foi algo muito bacana porque já é difícil conseguir parceiros em São Paulo, ainda mais em outros estados.”

A iniciativa da parceria partiu da Trópica, e o valor doado será destinado para a organização da estrutura de um quiosque em Pinheiros, em São Paulo (SP). Administrado pela Adus, o empreendimento contará com a participação dos refugiados para cozinhar e vender práticos típicos de seus países de origem. A cada 30 dias, uma família ficará à frente da nova instalação, servindo como uma forma de geração de renda e aprimoramento de suas habilidades e relacionamento com os brasileiros. Dessa forma, a intenção é que elas consigam criar condições de manter a venda dos pratos a longo prazo.

De acordo com Haydu, essa parceria entre a Trópica e o Adus abre uma perspectiva e novas possibilidades de a instituição conseguir mais parceiros.

“Mais pessoas poderão conhecer nosso trabalho, não só para apoiar esse projeto em específico, mas também outros”, ressalta.

Haydu conta que há três projetos em andamento: a escola de culinária, em que os professores serão os próprios refugiados; a criação da sala de informática, visando capacitá-los por meio de cursos; e também de uma sala para atendimento psicológico na sede da entidade.

Para mais informações sobre o quiosque e para fazer doações, o Adus criou uma campanha de crowdfunding que pode ser acessada neste link.

Sobre o Instituto de Reintegração do Refugiado (Adus)

O Instituto de Reintegração do Refugiado (Adus), fundado em 2010, é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público que atua junto aos refugiados e outros estrangeiros vítimas de migrações forçadas na cidade de São Paulo, a fim de reduzir os obstáculos que enfrentam para a reintegração na sociedade. Na visão do Adus, as ações promovidas devem valorizar os laços de solidariedade com os refugiados, escutando suas demandas e respeitando sua individualidade, de modo que cada refugiado possa adaptar sua vida no Brasil segundo suas prioridades.

As atividades do Adus são organizadas em três eixos de trabalho: Advocacy, Orientação de Trajeto e Reintegração. Em cada um dos eixos funcionam projetos que visam superar os diferentes obstáculos que os refugiados enfrentam desde sua chegada ao Brasil.

Com informações de Louise Queiroga, da Plano & Mídia