A próxima aventura depois de fazer cerveja num balão

Equipe da Lift planeja brassagens no Continente Antártico e na Amazônia

A preparação do balão em que ocorreu a brassagem de sete litros da cerveja (Foto: Divulgação)

A preparação do balão em que ocorreu a brassagem de sete litros da cerveja (Foto: Divulgação)

Cervejeiros artesanais são apegados à criatividade e ao improviso, mas é pouco provável encontrar um doido o bastante para uma brassagem a bordo de um balão. Pois há quem não apenas pensou, mas executou essa saudável maluquice. Depois da aventura, imortalizada em um minidocumentário, Flavio Cremonesi - ou Limonada, como é mais conhecido e prefere ser chamado - e os dois sócios, Guilherme Fonseca e Henrique Mafra, procuram patrocinadores para produzir uma cerveja em dois endereços insólitos: o Continente Antártico e a Amazônia.

Balonista e integrante da equipe do programa Mais Leve que o Ar, do Canal OFF, Limonada concebeu com os sócios a primeira aventura cervejeira em uma conversa de bar em Belo Horizonte. Assim nasceu a cerveja Lift. A aventura aérea serviu mais para divulgá-la do que realmente fabricar a bebida, porque no balão foram produzidos apenas sete litros. A experiência atendeu a dois dos três pilares da marca Lift, "projetos de aventura e marketing & mídia", o outro, claro, é a qualidade de produto. O primeiro lote, na fábrica da cervejaria Capa Preta, em Nova Lima (MG), consistiu em mil litros, vendidos em menos de um mês. Para o segundo lote são previstos 2,5 mil litros.

Ao mirar a Antártica e a Amazônia, que têm em comum o fato de serem as maiores concentrações de água no mundo, Limonada segue a busca de "lugares disruptivos" para produzir a sua cerveja. A ideia é despertar no público a pergunta "Por que não pensei nisso antes?". Para o continente gelado, o estilo planejado é uma American Barleywine, com água retirada de glaciares (as camadas cristalizadas de neve). Na Amazônia, o desafio é fazer uma India Pale Ale (IPA) com Brettanomyces. Ambos os projetos impõem desafios complicados. No caso da Antártica, um deles será como criar condições de manter uma fervura por cerca de uma hora a quase 80 graus. No da Amazônia, como lidar com uma levedura selvagem e agressiva em meio a um dos ecossistemas mais ricos do planeta. Essas e outras questões ainda estão por ser resolvidas, o momento é de captar parceiros para os projetos (interessados podem enviar email para flavio_cremonesi@yahoo.com.br).

O rótulo da Farmhouse Ale (Foto: Divulgação)

O rótulo da Farmhouse Ale (Foto: Divulgação)

 

A Lift começou a nascer no fim de 2016, quando Limonada se instalou na capital mineira e passou a travar contato mais direto com o universo da cerveja artesanal. No balcão do tasting room da Casa Olec, no bairro São Pedro, conheceu Guilherme Fonseca e, ao se apresentar, contou: "Sou o Limonada e tenho um programa de televisão no canal OFF. Sou balonista e, na última aventura, fizemos uma travessia de balão entre os oceanos Atlântico & Pacífico, no eixo Leste/Oeste (Brasil, Argentina e Chile), voando por lugares incríveis, desde a Mata Atlântica, passando pelo deserto do Atacama, cordilheira dos Andes, cânions nas serras gaúchas/catarinenses, Garganta do Diabo em Foz do Iguaçu/PR, pantanal dos ‘hermanos’ até chegar ao Pacífico."

Guilherme olhou para o aventureiro e soltou: “Vamos fazer uma cerveja dessa história!”

Limonada com Lucas Godinho, da Capa Preta (Foto: Divulgação)

Limonada com Lucas Godinho, da Capa Preta (Foto: Divulgação)

Gravação para o minidocumentário reconstitui o encontro de Limonada com Guilherme Fonseca e Henrique Mafra, o trio da cerveja Lift (Foto: Divulgação)

Gravação para o minidocumentário reconstitui o encontro de Limonada com Guilherme Fonseca e Henrique Mafra, o trio da cerveja Lift (Foto: Divulgação)

 

A conversa avançou, e Guilherme chamou Henrique Mafra. A dupla criou a receita no estilo Saison/Farmhouse Ale, originária da Bélgica, uma das mais cultuadas escolas cervejeiras, e o apelido do balonista influenciou na receita, com a inclusão de limão.

A primeira brassagem foi numa panela de 50 litros. A criação ainda não tinha nome, até o aventureiro se inspirar "nos ventos que batem na parede da montanha e levam tudo pra cima". Para completar o projeto, faltavam dois itens: impactar positivamente a cerveja e gerar escala num volume comercial. O trio concluiu a necessidade de unir aventura e cerveja e gerar experiências. Assim foi pensado o voo de balão. Para aumentar a dose de emoção durante o passeio aéreo e produzirem mais imagens interessantes para o filme, Limonada convidou dois amigos "base jumpers", para saltarem de paraquedas. Agora, a Lift põe no horizonte desafios ainda mais impactantes.

Veja o filme da aventura