Avança o uso de lúpulo nacional

A paulista Dádiva e a gaúcha Imaculada reforçam as experiências com insumo nacional

 A South Blossom é uma American Blond Ale produzida pela Dádiva com lúpulo fresco da Serra da Mantiqueira (Foto: Divulgação)

A South Blossom é uma American Blond Ale produzida pela Dádiva com lúpulo fresco da Serra da Mantiqueira (Foto: Divulgação)

Com a diversificação do mercado brasileiro de artesanais, reconhecida com prêmios internacionais na última década, aumenta também a ansiedade pela criação de uma escola brasileira de cerveja, para se distinguir das referências alemã, americana, belga e britânica. Entre os especialistas, porém, um dos desafios levantados é o fato de o Brasil, à exceção da água, depender de importações dos insumos básicos da bebida. Uma das dificuldades é a de cultivar o lúpulo, responsável pelo amargor e pelo aroma da cerveja. Nos últimos meses, despontaram pelo país diferentes experiências de cervejarias em busca dessa autonomia.

As mais recentes experiências comerciais com lúpulo made in Brasil são das cervejarias Dádiva, de Varzea Paulista, e da Imaculada, de Caxias do Sul (RS). Antes, a Baden Baden, de Campos do Jordão (SP), integrante do grupo Heineken Brasil, já havia lançado a sua Märzen com a variedade "valente" que já rendeu uma segunda colheita comercial na Fazenda Viveiro Frutopia, em São Bento do Sapucaí (SP).

A South Blossom é uma American Blond Ale produzida pela Dádiva com lúpulo fresco da Serra da Mantiqueira. Com a planta colhida, transportada e adicionada ao processo de fabricação em menos de 12 horas.

O lúpulo Mantiqueira nasceu de uma manifestação botânica espontânea na região da estância climática de São Bento do Sapucaí, região de serra no Estado de São Paulo, com altitude a mais de 1600 metros acima da Serra do Mar, que se mantém do turismo, mas que também se preocupa com o desenvolvimento da economia agrícola sustentável.

Ainda que conhecido pelo seu potencial aromático, até então, o lúpulo Mantiqueira havia sido utilizado com o principal objetivo de trazer amargor à cerveja. Esta será a primeira vez em que o lúpulo será utilizado fresco, em flor, em uma produção, justamente para otimizar o seu potencial aromático e ressaltar ainda mais as características de frescor à receita.

Mais ao sul do país, a Imaculada iniciou a produção da primeira cerveja com lúpulo fresco plantado em São Francisco de Paula (RS). O lúpulo é plantado no sul do Brasil, mas com características do lúpulo americano, das variedades Cascade e Columbus. A produção da primeira Harvest Ale, denominação dada à cerveja quando é usado o lúpulo logo após a colheita, verde e fresco sem passar por nenhum processo industrial, iniciou-se no dia 22 de março, Dia Mundial da Água, e terá lote inicial para o mês de abril, aproveitando a colheita do lúpulo fresco para descobrir o terroir dos lúpulos da Serra Gaúcha em uma cerveja leve, com adição de flores de lúpulo do início ao fim do processo, inclusive no dry hop.

No mesmo Estado, entre 2014 e 2015, houve uma tentativa de criar uma cerveja "100% brasileira", um trabalho bem experimental, que reuniu uma força-tarefa de cervejeiros.

Enquanto isso, nos laboratórios de universidades, busca-se desenvolver uma levedura nacional viável (para saber mais leia aqui). A produção do outro ingrediente básico, a cevada, já é mais fácil, inclusive com estímulo da Ambev (saiba mais aqui).