Cerveja, Destaque

Suecas lançam cerveja em reação ao preconceito

We Can Do It é uma Pale Ale para derrubar mitos e ser compartilhada por homens e mulheres

Rótulo se inspira em Rosie the Riveter, um símbolo da força da trabalhadora (Foto: Divulgação/FemAle)

Rótulo se inspira em Rosie the Riveter, um símbolo da força da trabalhadora (Foto: Divulgação/FemAle)

Cansadas de ouvir nos bares recomendações masculinas do tipo “essa cerveja é escura demais e forte demais para você, meu bem – peça uma mais doce”, apreciadoras como Rebecka Singerer deram um basta na Suécia. “Não, eu não quero uma fruit beer. As mulheres podem beber o que quiserem", desabafou em entrevista ao The Guardian. Ela integra um grupo de mulheres de Gotemburgo, o FemAle, que acaba de lançar a We Can Do It, uma Pale Ale.

O rótulo se inspira em Rosie the Riveter (Rosie, a Rebitadeira), criação da propaganda norte-americana na II Grande Guerra que se converteu em símbolo da força da trabalhadora.

A fundadora do grupo, Elin Carlsson, 25 anos, é operária da Volvo, onde pinta carros. “A We Can Do It não é uma cerveja feminina, e sim uma cerveja feita por mulheres que qualquer um pode beber”, explicou. “Não tem a ver com feminismo, trata-se de igualdade – queremos mostrar que "we can do it” (em português, "nós podemos").

A Pale Ale em produção (Foto: Divulgação/FemAle)

A Pale Ale em produção (Foto: Divulgação/FemAle)

O grupo se opõe a décadas de preconceito no mundo cervejeiro. Por ironia, a dinamarquesa Carlsberg e outras grandes cervejarias vêm gastando milhões na tentativa de vender mais cerveja para mulheres. Para isso buscam encontrar os "paladares femininos".

Com o FemAle é diferente. Degustações dirigidas para mulheres permitem a potenciais consumidoras provar sabores e estilos que elas normalmente não experimentam. Esse processo de educação é, nas palavras do grupo, uma forma de atrair mais garotas para o mundo da cerveja. “Traga a sua mãe, irmã, namorada, tia e avó, de forma que nós possamos aprender mais sobre cerveja.”

Para produzir a cerveja, o grupo fez uma parceria com uma microcervejaria local chamada Ocean. “Não é uma cerveja que tem um público-alvo feminino – é a nossa mais lupulada”, disse Thomas Bingebo, o mestre cervejeiro da Ocean. “Quando as grandes cervejarias visam ao público feminino geralmente falham.”

A We Can Do It usa três maltes – Maris Otter, Amber e o de trigo Thomas Fawcett – e lúpulos Galaxy e Cascade. O amargor é alto (65 IBU) e o teor alcoólico, 4,6%.