Cenas do III Ipa Day (clique na foto)

 

Por Fábio Schaffner

Foi uma celebração ao amargor. Durante todo o domingo (6/10), mais de 250 pessoas participaram do 3º Ipa Day, evento promovido pela Associação dos Cervejeiros Artesanais do Rio Grande do Sul (www.acervagaucha.com.br).

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Enquanto os confrades sorviam cerca de 800 litros com as mais diversas lupagens de Índia Pale Ale, um braseiro espalhado nos fundos de um centro de tradições gaúchas na zona norte de Porto Alegre assava 27 janelas de costelão, o mais tradicional corte de churrasco.

“É carne e cerveja pra ninguém botar defeito”, exclamava Thiago Santos, 26 anos, presidente da Acerva Gaúcha.

Perto dali, contudo, era outro fogo que prendia a atenção dos cervejeiros. Em meio ao incessante tilintar de copos, o analista de sistemas Eblen Kalil, 36 anos, pilotava a primeira brassagem do dia. Há dois anos fazendo cerveja em casa – técnica aprendida livros e vídeos do youtube –, Kalil preparava uma IPA com 150 de IBU.

“Estou fazendo 25 litros. O propósito é a gente ficar trocando ideias, experiências. Cada um vai aprendendo com os outros“, explicou Kalil.

Essa comunhão em torno das Ipas é a tônica do evento. Num canto do salão, os amigos Lucas Meneghetti e Estevão Chittó atraiam uma multidão de curiosos com um galão de 19 litros de uma Imperial Ipa com 10,5º de graduação alcoólica e 320 IBU. A cerveja, disparado a mais amarga do dia, era inspirada na lendária Pliny The Younger, da cervejaria californiana Russian River.

"A gente tentou clonar a cerveja, mas a fórmula é mantida em segredo. Um amigo nosso teve na sede da Russian River e esperou sete horas pra provar a The Younger. Fomos montando um quebra-cabeça com vários lúpulos pra chegar a esse resultado", explicou Estevão.

Pelo movimento em torno do galão da dupla, o resultado agradou. Em menos de uma hora, a torneira já estava quase secando. Há dois anos fazendo artesanais em cerveja em casa, Estevão e Lucas estão se acostumando ao reconhecimento. Em maio, Lucas conquistou o primeiro lugar no concurso nacional promovido pela Acerva do Paraná, com uma american amber ale.

Em um universo majoritariamente frequentado por homens e dedicado a cervejas amargas, impressionava o número de mulheres que prestigiou o 3º Ipa Day. De copo em punho, Paola Salimen e Fernanda Fetzner faziam questão de provar cada uma das 18 cervejas enfileiradas nos balcões. Casada com Antonio Salimen, irmão de Paola e tesoureiro da Acerva Gaúcha, Fernanda desdenhava do senso comum de que mulheres gostam de “cerveja fraquinha”.

"Tem essa mania de que bebida pra mulher é espumante e vinho ou de que não gostamos de cervejas amargas. Isso é uma bobagem Quem toma IPA espera justamente um aroma mais forte e um amargor mais intenso", disse Fernanda, antes de rumar à torneira para reabastecer o copo.