Vestida para beber

Variedade de estilos e marcas dá aos rótulos status de arte na sedução do consumidor

 

Por Fábio Schaffner

BeerArt nº 3 - dez/13

el patrón.jpg

Você chega para comprar cerveja e depara na prateleira com uma garrafa com um desenho da Morte navegando em um rio de sangue. Olha em volta, e há uma que parece guardar um esqueleto submerso. Ao lado, um rótulo exibe o rosto do traficante Pablo Escobar, outro traz uma Margaret Thatcher envelhecida, com um sorriso maroto e o dedo indicador erguido pedindo mais uma.

STP thatcher.jpg

Diante da profusão de marcas e estilos nas lojas e supermercados, a estampa de uma cerveja exerce uma função valiosa na hora da compra, podendo afastar ou seduzir um consumidor.

 

“Com mais de 15 mil fábricas de cerveja no mundo, cada uma tem que se destacar na multidão. O design é um meio muito eficaz para isso”, diz o designer norte-americano Harvey Shepard, editor do blog Oh Beautiful Beer (www.ohbeautifulbeer.com), especializado em garimpar rótulos criativos.

Se a miríade de sabores fez das gôndolas uma galeria de arte etílica, a escolha de cores, letras e traços se transformou em questão não só iconográfica, mas também mercadológica. Dono da Cervejaria Colorado, Marcelo Carneiro da Rocha vendia apenas em barril em 2007 e estava prestes a lançar seu primeiro lote engarrafado quando, num grupo gringo de discussões pela internet, alguém lhe falou sobre Randy Mosher. Marcelo entrou em contato com o mais renomado designer cervejeiro do mundo e refez toda a identidade visual da empresa. Hoje, seus rótulos são reconhecidos não só pela beleza, como também pela empatia que cria no público.

 

Com que roupa
a cerveja vai

“O rótulo é uma forma de a garrafa se vestir. Ele deve variar, conforme cada cerveja, mas precisa ter uma marca, um estilo que faça uma família, para que o consumidor perceba de onde vem a bebida que ele está comprando”, entende Marcelo.

Na Colorado, Randy ‒ sócio de uma cervejaria nos Estados Unidos ‒ é autor de todos os oito rótulos. Antes de sentar à prancheta, fez uma ampla pesquisa sobre a indústria nacional, mandou dezenas de estampas antigas a Marcelo, sempre indagando o que lhe agradava. Ao final, manteve o urso como símbolo da cervejaria, mas mudou seus traços, passando de um contorno gélido para uma figura viva, o bichão de frente, de boca e olhos abertos, como que diante de uma colmeia da qual escorre mel.

“O rótulo é muito importante, mas não adianta querer reinventar a roda. Eu aconselho a procurar quem entende. O Randy tem a técnica e também o amor à causa. Isso faz a diferença”, salienta Marcelo.

 

O primeiro (e o último)
argumento de venda

Num mercado tão acirrado quanto criativo, a tradução gráfica do espírito de cada cerveja se tornou fundamental. As cervejarias procuram um símbolo que as torne singulares, não com a pretensão de ser um ícone pop como a estrela vermelha da Heineken, mas que represente sua essência ao mesmo tempo em que tenha potência comercial. Com 140 rótulos no portfólio, concebidos para 30 marcas, o publicitário Robson Vergílio faz dessa busca um santo graal.

O publicitário Robson Vergílio tem 140 rótulos no portfólio, concebidos para 30 marcas (Foto: Divulgação) 

O publicitário Robson Vergílio tem 140 rótulos no portfólio, concebidos para 30 marcas (Foto: Divulgação) 

“Se o rótulo for feio, o cara nem pega. É o primeiro e o último argumento de venda. Ele tem que se sentir atraído e pegar na mão. E da leitura detalhada ele vai decidir se compra ou não”, afirma.

Autor do rótulo com o desenho da morte citado no início desse texto – “era pedido de uma banda de death metal” –, Robson acredita que o fundamental é ter personalidade. Como muitas microcervejarias não têm condições de investir pesado em propaganda, a concepção da imagem se torna cada vez mais importante.  Cresce então a urgência por uma identidade visual.

beer-6.jpg

 

Cada vez mais
profissionalismo

“Não dá para ficar no amadorismo, pedindo para aquele sobrinho que sabe mexer em CorelDraw. Basta ver que quem melhor resolveu isso foram a Colorado e a Bamberg, duas das mais fortes cervejarias artesanais, e cada uma com uma estratégia diferente”, afirma Robson.

bamberg2 (1).jpg
bamber4.jpg

Com 81 medalhas em festivais de cerveja pelo mundo, a Bamberg é a mais premiada cervejaria brasileira. Porém, diferentemente da Colorado, que sempre buscou uma unidade gráfica, aos poucos a empresa de Alexandre Bazzo começou a usar rótulos completamente distintos para cada lançamento. Apenas os primeiros desenhos, criados por uma agência de publicidade, seguiam o mesmo conceito.

“Os nossos rótulos hoje são mais irreverentes, uns são ovais, outros quadrados. Temos 15 estilos, cada um com um rótulo diferente do outro. Não quero uma identidade visual. Acho muito enjoativo”, afirma Bazzo.

Desde 2008, quem faz as estampas da Bamberg é o designer André Clemente, editor de arte de uma revista de gastronomia. Seu catálogo abriga desde o desenho em preto e branco de uma caveira com chapéu de cangaceiro – na cerveja dos Raimundos – a uma explosão de cores emulando luzes de Natal no rótulo da Bamberg Weihnachts. Para Bazzo, essa miscelânea ajuda a distinguir a cerveja na prateleira.

“Tenho uma agência que cuida da nossa arte, do merchandising, mas eu não deixo mexerem nos rótulos. Quanto menos relação um tiver com o outro, melhor. Prefiro agir por instinto. Pode ser que eu esteja cometendo um erro muito grande, mas nossas vendas aumentam 30% ao ano e estamos fabricando 75 mil litros de cerveja por mês”, conta Bazzo.

Segundo o designer Fábio Guimarães, essa liberdade criativa resume a filosofia do universo cervejeiro. Além de uma arte elaborada na frente, ele defende que o contra-rótulo tenha uma função informativa, contendo dicas de harmonização, temperatura e copo ideais, por exemplo.

“Só não pode ter ramo de cevada e flor de lúpulo. Já passamos dessa fase”, diz Fábio.

 

Um símbolo de
posicionamento

Pois as cervejas da Coruja, gaúcha cujos rótulos gravados direto na garrafa no sistema silkscreen incluem as dicas e informações preconizadas por Fábio, trazem um indefectível galho de cevada na frente.

IPA[1].jpg

“Não existe certo ou errado. Existe posicionamento. Às vezes, a expressão é o fim, mas se trata de um rótulo. E ele não é o fim, tem que ser um meio para aproximar o cara bebida. Se tirar o galho de cevada da nossa garrafa, parece que não é a Coruja”, diz Rafael Rodrigues, sócio da cervejaria.

Para Harvey Shepard, há várias maneiras de um rótulo fracassar. O caminho mais curto é um design complicado, com muitos detalhes e elementos no pequeno espaço de uma garrafa.

“Os rótulos precisam ser limpos e claros. Se sou incapaz de processar uma etiqueta quando dou uma rápida olhada na prateleira, vou continuar procurando. O rótulo é o pé na porta do consumidor, mas é claro que eu não vou continuar comprando se a cerveja realmente não for boa”, sintetiza o designer norte-americano.

Afinal, a embalagem é importante, mas o conteúdo é fundamental.

 

Clique na foto para ver as demais imagens da galeria abaixo:

 

Paixão artesanal, disciplina industrial

BeerArt sobe a serra paulista e visita a filosofia da Baden Baden, preservada ao ser adquirida por grupo

Marcus Dapper, mestre-cervejeiro da Baden Baden (Foto: Rodrigo Cavalheiro)

Marcus Dapper, mestre-cervejeiro da Baden Baden (Foto: Rodrigo Cavalheiro)

 

Texto, fotos e vídeo: Rodrigo Cavalheiro

Campos do Jordão (SP)

 

São 9h em Campos do Jordão, e um cheiro leve de bolo caseiro sai da cozinha da cervejaria Baden Baden, numa colina com pinheiros, passarinhos e outras referências bucólicas. Os primeiros turistas do dia descobrem, ainda na recepção, que não poderão fazer fotos ou vídeos dentro da fábrica quando Marcus Dapper abre a tampa de um tanque prateado batizado de "pulmão". O odor se adensa, como se um fogão à lenha estivesse dentro do cilindro e dali fosse sair uma fornada. De certa forma, vai. Só que engarrafada e em uma escala que faz o lema da casa, "Cerveja feita à mão", parecer uma homenagem à origens, a esta identidade de "coisa do interior" que a Baden Baden cultiva.

No "forno" (o nome técnico da cozinha é "sala de brassagem") está um lote de Pilsen, a linha mais vendida da cervejaria, criada em 1999 e dona de prêmios internacionais que têm aumentado a curiosidade sobre ela. Questionado sobre o "segredo" para a boa reputação entre crítica e público, Dapper destrói qualquer expectativa em torno de uma receita escondida a sete chaves. "Compramos o malte de empresas conhecidas, o lúpulo também. A água daqui é boa sim, mas hoje, com tratamento a custo mais baixo, se consegue a mesma qualidade em outros lugares. Estar em uma região fria também não é um trunfo em si. Atrai turistas, mas não ajuda a produzir cerveja", desmitifica. Não por acaso, há fábricas abrindo no Nordeste em localidades que em nada lembram a verde Baden Baden original, cidade de 50 mil habitantes no sul da Alemanha. Os grandes fabricantes estão de olho em subsídios estatais e em mão de obra barata que compensam com folga corrigir o alto teor de sais da fonte da região, por exemplo.

 

Paixão e disciplina
são os ingredientes

Foto: Rodrigo Cavalheiro

Foto: Rodrigo Cavalheiro

Se a Baden Baden tivesse uma receita que justificasse a aura de mistério sentida por quem visita a fábrica, diz o cervejeiro, ela teria menos a ver com criatividade, e mais com disciplina. É preciso chegar à fábrica cedo e conferir o "hemograma" de cada lote. Detectar variações surpreendentes a tempo e corrigi-las. Fazer com que cada remessa seja a cópia fiel da anterior. Que cada gole se pareça àquele que conquistou o cliente em sua primeira visita a Campos do Jordão, naquele fim de semana inesquecível no melhor hotel da cidade. "Diria que é preciso misturar dois ingredientes: paixão e disciplina", resume.

"Paixão porque lidamos com fermento, que é algo vivo. Às vezes ele vai dormir tarde na noite anterior, dorme de calça jeans, demora para acordar de manhã, tem mau humor. Se nós estamos com sono, tomamos um café ou um chimarrão para acordar. Temos instrumentos para fazer o mesmo se está 'sonolenta' a cerveja", compara o gaúcho de Porto Alegre, que ouve as mesmas piadas, sobre a boa vida de passar o dia bebendo cerveja ou por que não tem barriga, quando visita a família.

Esta correção de rumo no produto em parte é feita com testes sensoriais, o que na boca dos turistas vira "provinha". O cervejeiro degusta a amostra para saber se aquele tanque está de acordo com o padrão. Por precaução, Dapper toma um café da manhã reforçado, com frutas, e não marca compromissos em que tenha que dirigir logo após os cerca de 10 goles matinais. São as pitadas de paixão, que interferem na vida pessoal.

A disciplina que Dapper cita como ingrediente essencial ‒ há obsessão por limpeza, organização e automação ‒, é um trunfo da casa, difícil de alcançar em cervejarias menores. A Baden Baden tem capacidade para produzir 160 mil litros por mês e pega carona em uma rede de distribuição que coloca suas garrafas em todas as casas do Sudeste especializadas em cervejas gourmet, bem como em grandes mercados com seções de cervejas especiais na região.

Esta injeção de sobriedade em escala industrial ocorreu em 2007, quando a Brasil Kirin (cuja principal cerveja é a Nova Schin) comprou a fábrica. O negócio aguçou a exigência por cumprimento de metas, modernizou o maquinário. Em uma microcervejaria com know-how de grande, a produção dobrou. "Há mais condição de produzir cerveja com regularidade no sabor. O laboratório, por exemplo, tinha metade do tamanho. Agora temos uma pequena fortuna em equipamento sobre uma mesa para fazer testes. Esta é a vantagem de pertencer a um grupo grande", aponta Dapper, que acumula as funções de chef e chefe.

O mestre-cervejeiro cuida do "pulmão" da Baden Baden (Foto: Rodrigo Cavalheiro)

O mestre-cervejeiro cuida do "pulmão" da Baden Baden (Foto: Rodrigo Cavalheiro)

A "concorrência"
veio para ajudar

Como gerente da fábrica, este gremista domina a parte de gestão de pessoal e logística. As garrafas vão primeiro para a sede da Brasil Kirin em Itu, onde um só tanque de cerveja "não gourmet" tem capacidade para mais de 1 milhão de litros. Por isso a Baden Baden, sustenta ele, ainda usa o lema "feita à mão" ‒ cada lote, umas 5 mil garrafas, tem supervisão humana.

Quarto cervejeiro da história da Baden Baden, Dapper não perde o sono com a multiplicação de marcas gourmet, pelo contrário. Brinda o boom dos últimos seis anos, as experiências caseiras e a criação de micro e nanocervejarias. Isso torna mais populares as cervejas especiais, um universo que ele adora por fermentar uma camaradagem que não existe entre as grandes marcas. "Às vezes um maluco deixa duas garrafas na porta da fábrica para que a gente experimente e dê alguma opinião. Ele nem quer produzir em série, lucrar com isso. Só quer saber se exagerou em algum ingrediente, quer melhorar", lembra Dapper, rindo da pitada de amadorismo.

Em meio a tantas novas marcas, a tecnologia faz diferença na hora de competir porque, segundo ele, em uma fábrica pequena o conteúdo de cada garrafa tende a ser uma surpresa. "Insisto na importância disciplina, do trabalho de rotina, a cada manhã olhando cada tanque. Se em determinado dia noto diferença em algum lote e gosto, minha obrigação é não cair na tentação de mudar o padrão. Por mais que eu tenha gostado, preciso corrigir", explica o cervejeiro que começou na Polar em Estrela, esteve por 18 anos na Ambev, e está na Baden Baden desde o início de 2012.

Dapper associa a febre dos experimentos e novas marcas à influência das escolas belga e americana de cervejeiros, mais permeáveis à inovação. A escola alemã, na qual ele buscou formação e se inclui, tem como grande trunfo justamente "seguir a tradição", sem inventar muito.

 

Chocolate é inspirada
no hábito dos turistas

Pela cozinha da fábrica que coordena, passam com regularidade sete rótulos (Pilsen, Weiss, Golden, Bock, Stout, Red Ale e 1999, ordenadas em volume de produção). Há ainda duas cervejas sazonais: a Celebration, que só sai no inverno, a Christmas, que só sai no Natal. A Tripel, de alto teor alcoólico, 14 graus, teve edições limitadas, em 2008 e 2010. A caçula e xodó da casa é a Chocolate, criada este ano e a melhor de 2013 no estilo "chocolate" segundo a World Beer Awards. Criada para ter uma edição limitada, ela agradou e, fim do mistério, passará a ser sazonal ‒ produzida já para a Páscoa de 2014.

Ampliar as variedades é uma meta da Baden Baden, mas também um desafio. "Cada vez que trocamos o estilo de cerveja, é preciso limpar todos os tanques. Se não ficou bom, jogar o que está lá fora e limpar de novo. Isso faz com que em uma fábrica de cervejas especiais o desperdício seja imensamente maior que em uma grande", diz.

Foto: Rodrigo Cavalheiro

Foto: Rodrigo Cavalheiro

A Chocolate, por exemplo, surgiu não de um experimento genial de laboratório ou por um golpe de sorte, mas de um estudo sobre o consumidor da Baden Baden, em geral um turista sem grandes preocupações financeiras que sobe a serra paulista para passar o fim de semana comendo e dormindo bem, atraído pelo frio. Nas pesquisas sobre seus hábitos, apareceu a compra de chocolate depois de apreciar a culinária alemã no restaurante da Baden Baden, uma referência gastronômica no centro da cidade, a 2,7 km da fábrica.

"Fomos pesquisar em outros países quem produzia cerveja chocolate. Havia uns oito rótulos e analisamos amostras. As cervejas no Brasil não podem ter derivados de leite, por ser um produto de origem animal. Mel, usado em cervejas belgas, por exemplo, está proibido. Usamos baunilha e cacau puro, que remete ao chocolate no sabor e no cheiro", explica. "Mandamos para o concurso sem muita pretensão", diz, apontando os tonéis da cozinha reservados especialmente para experimentos. "A Chocolate saiu daí".

 

Em vídeo, Marcus Dapper explica as diferenças entre CERVEJEIRO, CERVEJÓLOGO e CERVECHATO. Clique na imagem ao lado ou aqui.

 

Por que o Sudeste é
foco da distribuição

Embora não disfarce o orgulho com o desempenho da nova "filha", o cervejeiro garante que os prêmios não são uma obsessão. A política é inscrever-se nos principais. "Não fazemos cerveja pra concurso. Algumas cervejarias se orgulham da quantidade de prêmios que conquistaram e usam como marketing. Isso porque para o público é difícil mesmo saber quais são os concursos mais tradicionais mundo afora. Mas é uma estratégia", diz o gaúcho, que abusa do tchê a cada resposta e mantém um quadro da estátua do Laçador na parede do escritório.

Ele explica que a Baden Baden não chega a sua região natal com a frequência e variedade do Sudeste, primeiro, por uma questão de mercado. A Eisenbahn, de Blumenau, também foi comprada pela Brasil Kirin, em uma ofensiva sobre as cervejas artesanais interpretada por especialistas como uma tentativa de se associar a marcas locais fortes no Sudeste ‒ região em que a Nova Schin sofre rejeição, embora seja líder no Nordeste. Apesar de a Baden Baden e a Eisenbahn terem suas particularidades, um iniciante as coloca em geral na categoria "cerveja forte". Pelo mesmo motivo, parte do portifólio da Eisenbahn não chega ao Sudeste.

Outra razão para a Baden Baden se concentrar no Sudeste é a qualidade. "Tirando casos muito específicos, uma cerveja nova é melhor. Ela também perde qualidade por oxidação, se passar por calor e por muita agitação no transporte. Podemos garantir a qualidade até ela sair da fábrica, depois as variáveis aumentam e nos resta torcer. A mais fresca está mais perto da fábrica", explica o cervejeiro.

Foto: Rodrigo Cavalheiro

Foto: Rodrigo Cavalheiro

Provavelmente por isso, passar um feriado em Campos do Jordão, a 173 km de São Paulo, ‒ com 1.628 metros, o mais alto município brasileiro, com temperatura mínima média de 8,6°C e máxima de 20,9°C ‒ seja indissociável de beber uma Baden Baden no respectivo restaurante (com o rótulo virado para a calçada). Provavelmente por isso, visitar sua fonte seja uma mania.

No inverno ‒ e o cervejeiro admite passar mais frio na serra paulista do que na capital gaúcha ‒, é preciso reservar com dias de antecedência um lugar na visita guiada pela fábrica, batizada comercialmente de "experiência sensorial" ‒ reservas no (12) 3664-2004 ou filas de duas horas, sem garantia de conseguir vaga. Pagando R$ 15, uma pechincha em uma das cidades mais caras do Estado mais caro do país, o visitante conhece a sala de prêmios e a história da empresa, é apresentado aos oito tipos de malte e aos sete de lúpulo. Vê como funciona a cozinha, sente o cheiro do bolo saindo do forno e, por fim, prova duas fatias, Cristal e Bock, bem tiradas.

 

A reportagem sobre a Baden Baden foi publicada na BeerArt número 3, de dezembro/2013

 

 

 

 

Roger (de óculos) e sua turma no lançamento da Nós Vamos Invadir Sua Praia (Foto: Divulgação)

Roger (de óculos) e sua turma no lançamento da Nós Vamos Invadir Sua Praia (Foto: Divulgação)

Leia a entrevista de Roger do Ultraje

 

Entrevista a Fábio Schaffner, da BeerArt 

 

Autor de algumas das letras mais inteligentes e irreverentes do rock nacional, Roger Moreira fez uma música chamada Beer... que é instrumental. Se ficou devendo palavras para falar sobre cerveja, a homenagem agora veio engarrafada. Em entrevista à BeerArt, o vocalista e líder do Ultraje a Rigor falou sobre o lançamento da cerveja da banda e o crescimento do mercado para as artesanais no país. 

BeerArt –  Como surgiu a ideia de ter uma cerveja da banda?

Roger – A cervejaria Mr. Beer me procurou, disse que estava lançando uma cerveja e gostaria que ela fosse a nossa cara. A gente teve alguns encontros, provamos umas importadas, as que eles estavam fazendo e discutimos o formato, o rótulo, quais tipos de cerveja.

BeerArt – Qual é a tua predileta?

Roger – Das três que foram lançadas, eu gosto mais da Pale Ale, a mais forte. Indo bem o negócio, eu pretendo lançar mais alguns tipos. O Brasil tem muito mais cara de cerveja do que vinho, por exemplo, e o mercado de vinho era incipiente e hoje é bom, com vinhos nacionais bem feitos. É o que se imagina para cerveja também.

BeerArt – Você já tomava cervejas artesanais antes?

Roger – Eu morei nos Estados Unidos em 1979, 1980, e lá foi a primeira vez que eu vi que existiam outras cervejas. No Brasil, só tinha Pilsen e Malzbier, e ninguém chamava assim, era cerveja e pronto. Lá eu tomei diversos tipos, do mundo inteiro. Só mais tarde que aqui começou a sair algumas cervejas que eu conhecia de lá, ainda assim industriais, como a Budweiser e a Miller.

BeerArt – A vida na estrada e a trajetória de roqueiro dão alguma expertise?

Roger – Pra falar a verdade, hoje eu só bebo socialmente. Mas conheço. Com essas cervejas, a ideia é você beber menos, mas beber melhor. São cervejas mais caras, mais sofisticadas e mais saudáveis também. É a coisa de conhecer, experimentar, e não precisar encher a cara de uma coisa só.

BeerArt – E como foi o retorno dos fãs? Eles sugeriram algum outro tipo de cerveja?

Roger – Teve muita repercussão, a maioria preferiu a Weiss. Gostaram muito do kit e muitos disseram que o pai tinha ficado com a cerveja e eles com a camiseta. Teve cara que comprou para não tomar, falou que iria colecionar Eu disse: "Toma a cerveja, pô, guarda a garrafinha vazia".

BeerArt – Toda banda participou do processo?

Roger – Mais eu, na verdade. Eles chegaram na hora da degustação. 

 

Na versão em tablet, da BeerArt número 2 (out/nov de 2013), ouça o áudio da entrevista de Roger do Ultraje para a BeerArt.

 

Délirium Café Rio (Foto: Altair Nobre)

Délirium Café Rio (Foto: Altair Nobre)

A toca do elefante

 

Único Délirium Café fora de Europa e Ásia, pub carioca oferece variedade e história

Texto e fotos: Altair Nobre

Rio

Além da praia inspiradora da Bossa Nova, Ipanema guarda um lugar imperdível para quem preza uma boa cerveja: o Délirium Café. É a única filial, fora da Europa e da Ásia, do bar que figura no Guinness Book, o Livro dos Recordes, como o detentor da maior variedade de cervejas disponíveis para venda. O Délirium Café de Bruxelas (Bélgica) conquistou essa marca em 9 de janeiro de 2004. O número de rótulos responsável pela distinção casa com o ano: naquela data foram contadas 2.004 opções da bebida, procedentes de mais de 60 países. Em outubro de 2013, o conjunto se aproxima dos 2.500.

À exceção do pub no Rio, só existem franquias na França (Clermond-Ferrand, Nantes, Orléans e Rouen), no Japão (três em Tóquio), na Itália (Bergamo) e na Espanha (Ibiza), além de uma prestes a funcionar em Dubai (Emirados Árabes). Ou seja, mais um sinal de que entrar no endereço Rua Barão da Torre, 183, é um privilégio. 

Délirium Café Rio (Foto: Altair Nobre)

Délirium Café Rio (Foto: Altair Nobre)

Na carta, são mais de 300 tipos de cerveja. Para acompanhar, há petiscos como o croquete St. Paulin, os pratos com mexilhão e creme de queijo feito com Hoegaarden, entre outros. O nome do bar, claro, vem da cerveja Delirium Tremens, cujo símbolo com seu elefante rosa decora a fachada. No pub carioca, uma taça servida como chope sai por R$ 18,90. 

Trazido em 2010 pelo Grupo Buenabeer, importador n° 1 de cervejas belgas no Brasil, o Délirium Café tem 10 torres de chope, oferece inúmeras degustações e vem colecionando prêmios. Por exemplo: por cerca de R$ 100, é possível combinar cinco cervejas de diferentes origens. O Brasil está bem representado do Sul ao Norte. 

Os proprietários, Hélio Vieira Júnior e João Thomi, testemunham a magia que essa marca mundialmente conhecida desperta nos clientes. Turistas tiram fotos na fachada, e muitos ao entrar se sentem como se estivessem em um pub belga. 

A cerveja

Belgian golden ale produzida pela cervejaria Huyghe, a Delirium Tremens foi lançada em 26 de dezembro de 1989. Usa três diferentes leveduras e é envasada em uma garrafa pintada como para parecer cerâmica. O rótulo ilustra diferentes fases da produção, combinadas com o mascote rosa. Foi escolhida a melhor cerveja do mundo em 2008, no World Beer Championships, em Chicago (EUA).

O nome

O bem-humorado título vem do latim: Delirium tremens tem o significado de "tremor de loucura", indicando uma doença grave e violenta induzida pela retirada após abuso de álcool, embora essa psicose também possa ser causada pela abstinência ou suspensão do uso de drogas ou medicamentos. Embora seja comum pensar que os doentes sofrem de alucinações nas quais veem elefantes cor-de-rosa, o mais comum é observar gatos, cães, cobras e insetos. 

Mas, para um saudável apreciador, não há o que temer ao entrar no Délirium Café.

Délirium Café Rio (Foto: Altair Nobre)

Délirium Café Rio (Foto: Altair Nobre)

Serviço

  • O que: Délirium Café
  • Onde: Rua Barão da Torre, 183, Ipanema, Rio (RJ)
  • Quando: de 2ª a 5ª das 17h às 24h, 6ª e sábado das 17h às 2h e domingo das 16h às 23h
  • Site: www.deliriumcafe.com.br

Publicada na BeerArt número 2 (out/nov de 2013)

 

 

 

 

Cristiana Bratt e Kathia Zanatta, do CluBeer (Foto: Divulgação)

Cristiana Bratt e Kathia Zanatta, do CluBeer (Foto: Divulgação)

Rodrigo Sztelzer, Rafael Borges e Pedro Meneghetti, do Have a Nice Beer (Foto: Divulgação)

Rodrigo Sztelzer, Rafael Borges e Pedro Meneghetti, do Have a Nice Beer (Foto: Divulgação)


 

 

 

Bar por assinatura

 

 

Clubes crescem, ao entregar qualidade a ser experimentada no conforto da casa

 

 

Por Fábio Schaffner

BeerArt nº 2 - out-nov/13

Alguém toca a campainha, você vai atender, e é um entregador com um kit de cervejas especiais. A cena se repete todos os meses, pelo tempo que você desejar. Esse é o espírito dos clubes de cerveja, um serviço de assinaturas que não para de crescer no país, oferecendo no mínimo dois rótulos diferentes por ocasião.

Criado em Porto Alegre há dois anos e hoje o maior clube da América Latina, o Have a Nice Beer nasceu da paixão de dois amigos de infância por cerveja. Em 2010, Pedro Meneghetti ganhou de aniversário de Rafael Borges o livro 1001 Cervejas para Beber Antes de Morrer.

"A gente começou a beber muito cedo, mas não tinha grana. Nos churrascos, tomava as Heinekens do padrasto do Pedro e ainda achava azeda. Com o tempo, conhecemos as artesanais”, conta Rafael, 32 anos.
kitHaveNice.jpg

Da leitura do livro, nasceu uma questão etílica de suma importância: onde arranjar tempo e dinheiro para provar todos os rótulos do livro? O problema se tornou negócio no ano seguinte, quando Pedro largou a diretoria de uma multinacional e Rafael escanteou uma década trabalhando com Direito e Publicidade para se dedicarem somente à Have a Nice Beer. Com Rodrigo Sztelzer, contratado para desenvolver o site do clube e que acabou se tornando sócio, eles administram uma carteira com 9,4 mil assinantes e um faturamento previsto de R$ 5,1 milhões em 2013. A cada mês, de 350 a 400 novos clientes aderem ao clube.

O gosto pela cerveja, a amizade e o tino empresarial também estão na gênese do CluBeer. Fundada por Kathia Zanatta, 30 anos, e Cristiana Bratt, 35, a empresa tem 5 mil sócios e um índice de crescimento mensal de 10%. Antes de criarem o clube, ambas trabalhavam na Schincariol, em Itu (SP).

Psicóloga, Cristiana respondia pelos recursos humanos da área de negócios. Engenheira de alimentos, sommelière pela Doemens Akademie, de Munique, mestre-cervejeira pelo Siebel Institute of Technology, de Chicago, e com passagem pela alemã Paulaner, Kathia, adivinhe, escolhia os sabores, maltes e lúpulos. Ao deixarem a fábrica, a opção primordial foi continuar no ramo. O sucesso foi imediato e hoje elas empregam 15 pessoas, a maioria mulheres.

“Nós amamos cerveja, queríamos trabalhar com isso. E sabíamos que havia muitas oportunidades no mercado”, afirma Cristiana.
kitCluBeer.png

Para fomentar a cultura cervejeira no país, a Have a Nice Beer e o CluBeer promovem eventos de degustação e  adotam iniciativas pedagógicas. Kathia criou o primeiro curso de cervejas da Associação Brasileira de Sommelières (ABS), no qual Cristiana se formou. Já os guris da Have a Nice Beer se uniram à escola de tendências Perestroika e idealizaram o On Tap, um curso que ensina desde as origem da bebida às práticas de produção artesanal.

“Acreditamos que esse mercado só vai crescer de forma sustentável se tiver uma massa crítica. Nunca se bebeu tanta cerveja diferente, então é importante as pessoas conhecerem, entenderem o que estão tomando”, aponta Rafael.

As mais recentes estimativas apontam a existência de cerca de 1 mil rótulos e 150 micro-cervejarias operando no país. No CluBeer, há fábricas artesanais na fila de espera para aderir ao portfólio da empresa. O Have a Nice está transportando cerveja de navio, avião, caminhão e balsa para entregar a assinantes nos pontos mais longínquos do país. A sede é grande. 

 

 

 

 

Else Beer ES (7).jpg

Uma novidade capixaba

 

Else Beer funciona em sítio em Viana, a cerca de 30 quilômetros de Vitória

 

Textos e Fotos: Daniel Hirschmann

Viana (ES)

 

Quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve no Espírito Santo para a primeira extração simbólica de petróleo da camada do pré-sal, em setembro de 2008, o empresário José Olavo Medici acompanhou tudo de perto. Bem de perto. Foi sua empresa, especializada em eventos corporativos, que organizou a cerimônia e preparou a estrutura onde a comitiva presidencial, autoridades, empresários e imprensa se reuniram para discursos, coquetel e entrevistas de praxe. Palco, mesas, bifê, sala de imprensa, banheiros, cada detalhe tinha de estar sob controle, cumprindo os padrões exigidos. Hoje, cinco anos depois daquele dia histórico, este empresário de 53 anos dedica a mesma atenção e o mesmo cuidado a um sonho que está se tornando realidade: fazer uma cerveja artesanal com sabores e aromas diferenciados, capazes de conquistar tanto aqueles que já têm experiência quanto os que estão dando os primeiros passos, ou goles, no mundo das cervejas especiais.

José Olavo 

José Olavo 

Em um sítio no município de Viana, a cerca de 30 km do centro de Vitória, José Olavo comanda a Else Beer, a primeira cervejaria artesanal capixaba com registro no Ministério da Agricultura, obtido em julho deste ano. O feito dá uma ideia da seriedade com que o empresário trata o novo negócio, apesar de não ter ansiedade por lucros dele – a empresa de eventos vai muito bem, obrigado – e de manter a mesma paixão da época em que, como tantos outros, fazia cerveja em panelas, em casa, para consumo próprio e com amigos.

Ao lado dele, estão o genro, o cervejeiro prático Peterson Loan Ribeiro, 21 anos, e um dos funcionários da empresa de eventos, Antônio Leôncio Martins, de 57, autodenominado “auxiliar de aprendiz”. Juntos, eles operam da brassagem ao engarrafamento e rotulagem, com conhecimentos sobre filtragem e fermentação e todo o processo da fábrica.

Else Beer ES (31).jpg

José Olavo foi o primeiro a dominar os equipamentos, pois não tinha condições de contratar um cervejeiro prático.

Depois, ensinou tudo ao genro, que agora controla os processos nas bombas de mistura e lauter, faz testes com iodo e verifica a densidade, anotando os resultados em fichas de controle, que atestam o padrão alcançado pela cerveja. Enquanto isso, o produto transferido da bomba de mistura passa pela filtragem, que não é intensa, mas busca basicamente tirar o fermento da cerveja para resultar em uma bebida de um dourado quase transparente, sem nenhum aditivo químico ou conservante em sua composição. Apenas malte, lúpulo, fermento e água.

A sala de bombas, tanques e máquina de engarrafamento fica tomada por um leve aroma do pilsen usado na fabricação da Clássica, a blonde ale da Else Beer. O ambiente é tranquilo, quase silencioso, não fosse por alguns barulhos típicos das máquinas e umas poucas conversas entre os cervejeiros. Algo impensável há pouco mais de dois anos, quando ali ficava um galpão usado para abate de animais, e os cheiros e ruídos eram outros.

As estrelas se chamam

Clássica e Jacarandá

A transformação do local nasceu, em parte, dos elogios e do incentivo dos amigos com quem José Olavo dividia suas descobertas e primeiras experiências no campo das cervejas especiais. Motivado, ele visitou a feira Brasil Brau, em 2011, decidido a comprar máquinas que permitissem produzir mais. Chegou a São Paulo pensando em 50 litros. Na volta para casa, era proprietário de equipamentos para 250 litros. “Foi uma atitude completamente irresponsável. Botei a emoção na frente da razão. Talvez, se tivesse feito as contas, não teria investido numa cervejaria de 250 litros”, admite.

Com ou sem contas, o negócio avançou. Entre obras, equipamentos e investimento total de R$ 300 mil, aquele velho galpão no sítio da família deu lugar à microcervejaria de 600 m², com uma área gourmet para visitantes, cercada por morros e árvores, ao som do canto de pássaros, na região da Pedra da Mulata, distante apenas 6,5 km da sede de Viana. A localização permite o uso, em todo o processo, de água que brota a 49 metros de altura, de uma fonte totalmente protegida. Potável, translúcida, inodora e mole, a água utilizada na fabricação da Else Beer tem grau 5 de dureza, o que indica a baixa quantidade de minerais que poderiam afetar o produto final e representa um custo a menos para eliminá-los.

Else Beer ES (16).jpg

A capacidade instalada é para uma produção de 2,5 mil litros por mês. Na linha de frente, além da blonde ale Clássica, está a dry stout Jacarandá, feita com maltes especial B, chocolate, black, vienna e pilsen. O nome faz referência à existência de grande quantidade dessas árvores de cor escura na região da fábrica, e a uma comunidade homônima, próxima dali.

Com o pé no chão

mas com paixão

Se a água usada é insípida e inodora, a bebida que brota dos tanques da Else Beer privilegia o aroma dos maltes e leva lúpulo somente para o amargor. Percebe-se o gosto do café, do chocolate, do especial B, que lá no fundo dá um sabor de ameixa, mas com leveza. “Tem que respeitar o produto. Não gostaria de tomar uma cerveja com gosto de laranja. Ter uma laranja no fundo, um biscoito no finalzinho, um mel, isso sim. Mas tomar e já vir o gosto de cravo, não. Não quero tomar cravo. Quero tomar cerveja. Se ela me der a possibilidade de, muito singelamente, mostrar esses toques, essas variações, é legal”, justifica José Olavo.

O teor de 5%, espuma grudando na lateral da taça e o visual até apontam para uma cerveja bem encorpada, mas a Else Beer espera surpreender. “Se você chegar com uma cerveja com 8, 9 ou 10% de álcool e um amargor elevadíssimo, sabor de cravo ou de canela, a pessoa vai tomar e não vai querer nunca mais”, pondera o empresário. “Não quero uma situação dessas. Quero fazer um produto equilibrado, que não agrida o paladar de quem está começando, mas que ele saiba que está tomando um produto diferenciado.”

José Olavo acredita que a Else Beer já alcançou esse padrão desejado. A estratégia agora é consolidar a Clássica e a Jacarandá e só então partir para outras variedades, podendo chegar a uma linha de pelo menos cinco tipos de cerveja, além de ampliar a fábrica – e aí, sim, pensar em lucros. A comercialização ainda está focada no Espírito Santo, em pontos de público A e B, mas a tendência é expandir as vendas, aproveitando o momento favorável das cervejas especiais. Tudo paulatinamente, com pé no chão e acompanhando de perto, para ter uma evolução tranquila, no melhor estilo do empresário que, há cinco anos, arrancou elogios da equipe do Palácio do Planalto. “Sem perder a característica de ser uma cerveja realmente artesanal, tendo controle total do que estamos fazendo e colocando no mercado”, destaca.

 

Publicada na BeerArt número 2 (out/nov de 2013)

 

 

Fun House

Ricardo Jaeger

Ricardo Jaeger


 

A estação da colheita

Ricardo Jaeger

Ricardo Jaeger