Cervejarias

Saint Bier: O Mosteiro cresceu

Cervejaria amplia volume e opções das artesanais

Em expansão, a Saint Bier triplicou a capacidade produtiva (Foto: Sarah Buogo/Beer Art)

Em expansão, a Saint Bier triplicou a capacidade produtiva (Foto: Sarah Buogo/Beer Art)

Sarah Buogo (texto e fotos)

Forquilhinha – Recentemente, a Saint Bier passou por uma importante ampliação da sua estrutura física. Triplicou sua capacidade, produzindo atualmente 2,5 milhões de litros/ano, com possibilidade de crescer ainda mais. Ampliou consideravelmente também o leque de equipamentos associados à melhoria da qualidade. O crescimento veio a partir de investimentos em parceira com um novo grupo. Isso possibilitou a ampliação do parque fabril, em Forquilhinha, no sul catarinense, com aquisição de novos equipamentos. Ao quadro de profissionais já existente foram agregados novos valores que estão ajudando a otimizar a gestão.

Quem apenas visualiza a fachada da cervejaria pode acabar ignorando a dimensão da sua estrutura. A construção, de dois andares, abriga um pub que serve pratos da gastronomia local e todos os estilos de cerveja produzidos pela fábrica. Esse Pub é dividido em três ambientes, decorados com coleções de garrafas, tampinhas e bolachas de cervejas do mundo todo, que por si só valem a visita. A parte administrativa da cervejaria fica no andar superior. Na área industrial, além de equipamentos modernos e de grande volume, para produção cervejeira, o espaço conta com um bem equipado laboratório de análises e uma cervejaria piloto, na qual as receitas são desenvolvidas, testadas e aprimoradas. Seguindo o fluxo, é possível ver um moderno setor de envase e packaging, e uma ampla área de estoques e expedição. Em prédio lateral, a área de estoques de matérias-primas é marcada pelos aromas dos maltes e uma câmara fria abriga diferentes variedades de lúpulos.

Com esse salto, a Saint Bier preserva sua preocupação em manter uma produção artesanal de alto volume sem perder seu permanente foco em qualidade. Dentro da estratégia de crescimento e posicionamento no mercado para os próximos anos, a marca pretende inovar em seu portfólio de cervejas e manter suas posições nos estados do sul, ampliar o volume no sudeste e chegar aos estados do centro-oeste, norte e nordeste.

O engenheiro Evandro Janovik, diretor de Operações e mestre-cervejeiro, que acompanhou a Beer Art na visita à fábrica, ressalta:

Evandro combina as funções de diretor de Operações e mestre-cervejeiro (Foto: Sarah Buogo/Beer Art)

Evandro combina as funções de diretor de Operações e mestre-cervejeiro (Foto: Sarah Buogo/Beer Art)

“A Saint Bier destaca-se principalmente pela qualidade de suas cervejas e da sua gestão. Nosso planejamento está atrelado à evolução contínua de nossos processos e indicadores de desempenho, com o objetivo único de seguir entregando sempre mais e melhores cervejas aos nossos apreciadores. Essa é nossa característica fundamental.”

Os rigorosos padrões de qualidade estão presentes tanto na parte industrial quanto na proposta de marketing. Para marcar esse novo momento, o ícone da marca, o famoso Monge da Saint Bier, ganhou nova roupagem, com características mais humanizadas, sem perder a personalidade cervejeira, presente em diversos detalhes dos rótulos e materiais de marketing.

Outro ponto chave da nova fase está nas receitas. Tradicionalmente conhecida pelo sabor do “puro malte” e pela produção seguindo a Lei da Pureza Alemã (Reinheitsgebot), a cervejaria inova. O Monge passa a apresentar também receitas que rompem com a Lei de Pureza, e assim uma nova linha intitulada de "Herege". A primeira “indisciplina” dessa nova linha “fora da Lei” foi lançada recentemente e já está no mercado. Trata-se da RIPA, uma India Pale Ale (IPA), que leva a brasilidade da rapadura como ingrediente “herege”.

Graças ao laboratório instalado em janeiro/15, as análises de qualidade, antes feitas fora, agora são realizadas dentro do parque fabril (Foto: Sarah Buogo/Beer Art)

Graças ao laboratório instalado em janeiro/15, as análises de qualidade, antes feitas fora, agora são realizadas dentro do parque fabril (Foto: Sarah Buogo/Beer Art)

Há ainda, na série de inovações, a Slimbir, que segue o estilo Radler. Leveza e frescor são as principais características dessa cerveja de trigo com a adição de suco de laranja 100% natural. Com baixo teor alcoólico (2,5%), destaca-se pelo sabor marcante do cítrico, que foge das linhas de uma cerveja tradicional, sem perder o sabor.

“A Saint Bier quer estar inserida no contexto das cervejarias que participam da revolução cervejeira no Brasil. E a revolução é apresentar opções diferenciadas, uma gama de novas cervejas, de diferentes aromas e sabores, ao nosso consumidor", explica Evandro Janovik. “Malte é sagrado, milho é profano.”

E saindo do forno, ou melhor das panelas da cervejaria, a ILA. Uma IPA avermelhada, que faz uso de um ingrediente regional que lhe confere sua cor especial. A cerveja reafirma que o método Herege veio para ficar e vai seguir entregando cervejas inusitadas aos apreciadores. Deve chegar ao mercado em meados de junho.

É a nova fase de uma cervejaria em operação desde 2008, concebida para homenagear o estado e a comunidade que a acolheu. Nestes sete anos é possível perceber uma expansão significativa. A Saint Bier se tornou a casa também da Cerveja Coruja, além de produzir para cervejarias parceiras, como a Barco e a Anner, ambas de Porto Alegre (RS). Em 2015, inicia um novo ciclo, que promete muito mais.

Endereço: Av. 25 de Julho, 1303 – Vila Lourdes, Forquilhinha (SC)

A nova imagem do monge, ainda mais humanizada e com marcante plantação de cevada e, bem ao fundo, de lúpulo (Foto: Sarah Buogo/Beer Art)

A nova imagem do monge, ainda mais humanizada e com marcante plantação de cevada e, bem ao fundo, de lúpulo (Foto: Sarah Buogo/Beer Art)

Cervejarias

Bierland: Da terra da cerveja às novas fronteiras

A consagrada Bierland se expande a partir de Blumenau (SC) e mira o consumidor de artesanais da outra ponta do país

Cervejarias

Cevada Pura: Movida a pura paixão

Fundada em Piracicaba em 2001, cervejaria cresceu, abriu novas fábricas e ingressa em 2015 com planos ousados

Além de criar franquias de sua fábrica, a Cevada Pura planeja fechar o ano com 15 rótulos em linha (Foto: Rogério Volgarine @cervejaecomida)

Além de criar franquias de sua fábrica, a Cevada Pura planeja fechar o ano com 15 rótulos em linha (Foto: Rogério Volgarine @cervejaecomida)

Texto: Fabricio Santos - FullPIntBR
Fotos: Rogério Volgarine @cervejaecomida
Beer Art  16 - mar/15

Franquias de lojas de cerveja estão bem disseminadas no mercado brasileiro. Mas você já imaginou uma franquia de fábricas? Pois esse incomum modelo de negócio está em estudo por Alexandre Moraes, sócio proprietário da Cevada Pura. O projeto é uma das mostras da paixão empreendedora dessa cervejaria que ele e o sócio Carlos Alberto Colombo fundaram há 14 anos em Piracicaba (SP).

“Cevada Pura é uma história verídica de quem sempre acreditou e se apaixonou por cerveja", define Alexandre. "O que hoje está sendo comum ao público, como um bom negócio, há 20 anos era bem diferente. A Cervejaria Cevada Pura é, sem dúvida, um sonho bom que virou realidade e resistiu a todos altos e baixos alcançando o sucesso merecido.”

Além de tirar do papel franquias que em outras partes do Brasil garantam a qualidade de produção das atuais 3 unidades fabris, a ideia é fechar 2015 com 15 rótulos em linha. Também está nos planos iniciar a exportação de algumas cervejas.

Alexandre Moraes, sócio proprietário da cevada pura (FOTO: ROGÉRIO VOLGARINE @CERVEJAECOMIDA)

Alexandre Moraes, sócio proprietário da cevada pura (FOTO: ROGÉRIO VOLGARINE @CERVEJAECOMIDA)

O ano começou com novos desafios e de cara nova. Com a entrada do expert em marketing cervejeiro Marcos Praça, toda a linha de rótulos começa a ser reformulada, assim como uma nova logomarca passa a estampar as cervejas da Cevada Pura, que trará novidades ao longo do ano, em cervejas próprias e colaborativas.

Colaborativas

A primeira leva de colaborativas será feita com a Cigar City, com a vinda de Wayne Wambles, head brewer da cervejaria de Tampa, na Flórida. Fundada em 2009, a Cigar City foi eleita em 2013 a quarta melhor cervejaria do mundo pelo site RateBeer.com. Este ano foi novamente listada entre as 100 melhores do mundo, assim como três de suas cervejas. Produzirão uma American IPA e uma Brown Ale com adição de café e cacau.

A viabilidade destas colaborativas foi graças a Marcos Praça. Com trânsito no comando da cervejaria norte-americana, ele facilitou a troca de experiências e agora possibilita a nós, os consumidores, provar mais cervejas de cunho internacional a preço e frescor de nacional!

Para chegar até essa condição, a Cevada Pura deu uma série de passos antes. Inaugurada em 2001, começou com chope − atualmente esta produção (somente embarrilamento) chega a 40 mil litros! Com foco em atender à demanda regional por um chope de qualidade, entre 2002 e 2006, a marca ganhou visibilidade e respeito na região de Piracicaba.

Beer Art

O engarrafamento começou em 2007, ainda de forma artesanal e em pequena escala, a fim de atender apenas a sua loja de fábrica e pontos de venda de cidades vizinhas. Em 2008, foi inaugurada sua choperia, também em Piracicaba, com venda exclusiva de Cevada Pura, tornando-se sucesso imediato, e ponto de referência na degustação de cerveja na região.

A maturidade na produção e a consolidação junto ao consumidor fiel à marca ocorreram entre 2009 e 2012. E o salto veio em 2013, com a nova planta produtiva em Piracicaba, com maior capacidade de produção e envase com equipamentos mais avançados.

A chegada ao Nordeste

Com o objetivo de levar os produtos para o Nordeste, foi aberta em 2014 a primeira microcervejaria de Alagoas (Foto: Divulgação)

Com o objetivo de levar os produtos para o Nordeste, foi aberta em 2014 a primeira microcervejaria de Alagoas (Foto: Divulgação)

Em 2014, novos horizontes se abriram com a inauguração da primeira microcervejaria do estado de Alagoas, em Maceió, visando levar os produtos ao mercado consumidor do Nordeste. No mesmo ano, foi inaugurada a primeira franquia “Cevada Pura Express”, em Santa Bárbara D’Oeste (SP).

Agora, é aguardar as novidades para 2015. Não sei de vocês mas eu, sempre ávido por novidades, estou contando os minutos para poder provar estas colaborativas. O charme do caminhãozinho da Cevada Pura nos eventos é um show à parte. Quem aí já bebeu direto do tanque do caminhão? Não sabe o que está perdendo...

Que esta cervejaria siga na sua paixão, pura, como sempre.

A linha atual

As opções (todas em garrafas de 600 ml), o teor alcoólico (ABV) e o amargor (IBU):

Rótulos com nova identidade visual (Foto: Divulgação)

Rótulos com nova identidade visual (Foto: Divulgação)

  • Lemondrop (American Pilsener) − ABV 4,8% e IBU 25
  • English IPA − ABV 6,5% e IBU 45
  • Weizenbier − ABV 5,2% e IBU 15
  • Irish Red Ale − ABV 4,5% e IBU 28
  • Oatmeal Stout − ABV 5,9% e IBU 30
  • Xiki Nu Úrtimo* − ABV 4,8% e IBU 25
  • India Pale Ale (American) − ABV 5,6% e IBU 40

*Pilsen produzida em comemoração aos 40 anos de carreira de dupla sertaneja piracicabana Cezar & Paulinho

Endereço da sede:

Av. Lourenço Ducatti, 301, Vila Rezende, Piracicaba (SP)

Cervejarias

A alma da coruja

Solar na parte mais antiga de Porto Alegre é a síntese de uma inquieta cervejaria apegada à cultura e à experimentação. Conheça um pouco desse Centro Cultural Cervejeiro pelo olhar de um de seus guardiões, que preparou este artigo especialmente para a Beer Art

Antigo prédio restaurado pela cervejaria da capital gaúcha aproxima o público dos profissionais da área de produção (Foto: Ricardo Jaeger/Beer Art)

Antigo prédio restaurado pela cervejaria da capital gaúcha aproxima o público dos profissionais da área de produção (Foto: Ricardo Jaeger/Beer Art)

Tiago Eduardo Genehr
Beer Art 15 - fev/15

Porto Alegre - Quem passa pela frente consegue enxergar um café instalado em uma casa antiga. Começando a visita pelos fundos, pode-se imaginar um laboratório. Atravessando o Solar Coruja, a variedade de atividades impressiona. O Solar Coruja tem uma grande missão, levada muito a sério por seus idealizadores, Micael Eckert e Rafael Rodrigues, fundadores da Cerveja Coruja, em Porto Alegre/RS [que atualmente tem sua produção na fábrica da Saint Bier, em Forquilhinha/SC, que será tema de uma das próximas seções da Fonte].

Neste centro cultural cervejeiro na capital gaúcha, cada canto, cada ambiente, tem algo interessante para olhar. São obras esculpidas por Caé Braga, outras talhadas em madeira pelo “Renegado” Adroaldo Eckert, equipamentos antigos de cervejarias da região, representando tecnologias disponíveis em outras épocas. Vale a pena circular pelo prédio e explorar todas estas facetas, culturais, científicas e cervejeiras.

Rafael e Micael, os fundadores da Coruja (Foto: Altair Nobre/Beer Art)

Rafael e Micael, os fundadores da Coruja (Foto: Altair Nobre/Beer Art)

Um dos objetivos do Centro Cultural Cervejeiro é aproximar o público dos cervejeiros e profissionais envolvidos na produção e distribuição da bebida, e isso ocorre de várias formas. A troca de informações beneficia toda a cadeia produtiva e flui por meio de treinamentos, visitas guiadas, cursos e oficinas. As pessoas têm curiosidade em saber mais sobre as diferentes cervejas e ficam fascinadas ao saber de todo o trabalho envolvido na produção da cerveja, a quantidade de variáveis a controlar, o tempo que leva até chegar ao copo. Morder tipos diferentes de malte e encontrar aquele sabor na cerveja que se toma, sentir o aroma de lúpulo fresco, e lembrar na hora de outros aromas que conhecemos são experiências reveladoras, que nos conectam com algo ancestral na humanidade.

O encontro com a cachaça

Barris nos quais foi maturada cachaça agora estão com cerveja (Foto: Tiago Eduardo Genehr) 

Barris nos quais foi maturada cachaça agora estão com cerveja (Foto: Tiago Eduardo Genehr) 

Em cada canto, algo interessante para olhar (Foto: Ricardo Jaeger/Beer Art)

Em cada canto, algo interessante para olhar (Foto: Ricardo Jaeger/Beer Art)

Um momento inusitado no Solar, em 2014, foi o encontro da cerveja com a cachaça. Três barris de carvalho nos quais a cachaça WeberHaus, de Ivoti (RS), foi maturada agora estão cheios de cerveja, maturando e mesclando os elementos da madeira, cachaça, cerveja e a exposição ao ar. As primeiras degustações, após um período de 2 meses, mostraram notas muito agressivas, ácidas e alcoólicas, atenuadas após meio ano e agora evoluem da forma mais graciosa. E pensar que chegamos a considerar se aquilo realmente teria algum resultado positivo, ou teria que ser jogado fora. A maior parte continua maturando, vale a pena conferir de perto e sentir o clima de adega antiga. Os aromas que encontramos nestas cervejas envelhecidas nos fazem imaginar como eram as cervejas de antigamente. O prédio que abriga o Solar Coruja, construído em 1906, tinha na parte de baixo espaço destinado a depósito de mantimentos e o trabalho dos serviçais, já que a família habitava a parte de cima. Quem sabe se, já naquela época, não haviam barris, provavelmente de carvalho, cheios de cerveja ou vinho, maturando ali no mesmo lugar?

Uma experiência similar ocorre na fábrica, apenas em outra escala, sob controle dos cervejeiros de lá. Resultados obtidos lá e aqui podem depois ser comparados, gerando informações e resultados de forma mais consistente.

A intrigante Proporção Áurea, familiar aos arquitetos proprietários da cervejaria, também inspirou receita (Foto: Reprodução)

A intrigante Proporção Áurea, familiar aos arquitetos proprietários da cervejaria, também inspirou receita (Foto: Reprodução)

O encontro de arquitetos com cervejeiros resultou em algo transcendental. Com inspiração na Proporção Áurea, a sequência de Fibonacci, os maltes e lúpulos foram escolhidos, as rampas de brassagem e fermentação foram desenhadas, e nasceu a Cerveja Áurea. Arquitetos ligados ao IAB/RS – Instituto dos Arquitetos do Brasil, com os cervejeiros da Coruja, pensaram muito sobre este projeto, muito mesmo, tanto que a cerveja leva ainda a marca do pensamento na forma de um ingrediente. Como se vê nos quadrinhos, o pensamento se assemelha a uma fumaça, ao redor da cabeça, e para representar isto o malte defumado foi acrescido na infusão.

A cerveja 100% nacional

Tiago adiciona o lúpulo durante a produção da cerveja 100% brasileira (Foto: Divulgação)

Tiago adiciona o lúpulo durante a produção da cerveja 100% brasileira (Foto: Divulgação)

Quando se encontram especialistas em cerveja e seus ingredientes, surgem ideias inovadoras também. A partir da plantação de lúpulo de um cervejeiro, vem a ideia de fazer uma cerveja com ingredientes totalmente nacionais, e ainda por cima oriundos do estado. Foi uma das experiências realizadas no Solar Coruja, divulgada pela Revista Beer Art. A cerveja, brassada em 20 de setembro, data alusiva à Revolução Farroupilha, não tem nenhum intuito comercial, a princípio, e mesmo sendo uma brassagem pequena, representa um grande passo para a construção da tradição cervejeira local. Mais experiências desse tipo estão sendo criadas, e embora não se tornem produtos comerciais, disponíveis ao público, com certeza promovem também a união de diversos conhecimentos. O potencial de aprendizagem, mesmo nestes momentos informais, é muito valioso para quem é curioso e quer evoluir no meio, seja profissional ou amador.

O entrosamento entre as artes cervejeira e gastronômica produz resultados interessantes também, para ver, sentir e degustar. Um dos pratos da casa, que já virou a marca do Solar, é o sanduíche de lombo de porco cozido no chope. A mostarda servida para acompanhar pães e salsichas, também é feita na casa, obviamente com cerveja também, com variações de picância.

Foto: Ricardo Jaeger/Beer Art

Foto: Ricardo Jaeger/Beer Art

Para concluir este artigo com consistência, segue uma foto de um pão, feito com malte cervejeiro. Para imaginar a época, ainda no período Neolítico, em que a cerveja era feita a partir de pães, ou algo parecido, para fazer algo parecido com o que conhecemos como cerveja hoje.

ONDE FICA

Rua Riachuelo, 525, Porto Alegre, Rio Grande do Sul

Cervejarias

Amazon Beer: Aromas da Amazônia

De Belém do Pará, cervejaria busca conquistar o mundo e se desprender da imagem de exotismo

A microcervejaria amazon beer, de belém (PArá), é especializada em criar cervejas com ingredientes exóticos da região (FOTO: Juliana spinola/especial para a beer art)

A microcervejaria amazon beer, de belém (PArá), é especializada em criar cervejas com ingredientes exóticos da região (FOTO: Juliana spinola/especial para a beer art)

Texto: Katy Sherriff
Fotos: Juliana Spinola
Beer Art 14 - jan/15

Belém - Você tem que chegar a tempo às sextas-feiras. Caso contrário, será difícil conseguir uma mesa no terraço da cervejaria Amazon Beer em Belém, Pará. Localizado na Estação das Docas, o antigo cais do porto da cidade foi transformado em um complexo cultural em 2000. A Amazon Beer é um dos bares mais visitados das docas, e não só por causa da vista deslumbrante sobre a Baía de Guajará. As cervejas servidas no terraço são tão saborosas como os seus nomes exóticos.

A microcervejaria Amazon Beer é especializada na criação de cervejas com ingredientes exóticos da região amazônica do Brasil, como o açaí e a priprioca. Fundada em 2000 por Arlindo Guimarães, é a única cervejaria artesanal do Pará e vem colecionando prêmios no país e fora dele.

"Quando meu pai começou esta cervejaria, não havia muito conhecimento no Brasil sobre microcervejarias", diz Caio Guimarães, hoje sócio do fundador. "Havia apenas quatro ou cinco outros fabricantes de cervejas artesanais. Ele leu um artigo sobre o crescimento das microcervejarias nos Estados Unidos e decidiu que este seria um bom investimento."

Caio exalta a visão empreendedora de seu pai (Foto: Juliana Spinola/Especial para a Beer Art)

Caio exalta a visão empreendedora de seu pai (Foto: Juliana Spinola/Especial para a Beer Art)

Guimarães estava certo. Hoje em dia o Brasil conta com mais de 200 microcervejarias.

O jovem empreendedor mostra a pequena fábrica ao lado do bar. "Aqui, nós só produzimos para o consumo no bar, que é cerca de 30 mil litros por mês, o que faz de nós provavelmente o maior 'Brew Pub' do Brasil. Temos também uma outra fábrica na periferia da cidade, onde produzimos para vender aos nossos clientes em todo o Brasil." A empresa tem um crescimento de cerca de 20% ao ano. Hoje em dia, produz cerca de 100 mil litros por mês.

Outras pequenas cervejarias são vistas como parceiras, não como concorrência. "O mercado brasileiro de cerveja ainda é dominado pelas grandes cervejarias. Os brasileiros ainda não estão acostumados com a cerveja de alta qualidade, por isso temos de educá-los. Com outras cervejarias tentamos abrir os olhos dos brasileiros. O mercado de cervejas de qualidade no Brasil está crescendo."

Direto da fonte da amazon beer, em belém (FOTO: JULIANA SPINOLA/ESPECIAL PARA A BEER ART)

Direto da fonte da amazon beer, em belém (FOTO: JULIANA SPINOLA/ESPECIAL PARA A BEER ART)

Várias das cervejas já ganharam prêmios. Como a leve Bacuri, ouro no Festival Brasileiro da Cerveja, em Blumenau (SC), em 2013. Ou a cerveja Açaí Stout: uma cerveja escura com a fruta mais típica da região de Belém, com sabores de caramelo e café. Na edição de 2014 do Festival Brasileiro, foi eleita a Melhor Cerveja do Brasil. No mesmo ano, a Forest Pilsen ganhou medalha de ouro na competição inglesa 'Beer Challenge International'.

As cervejas da Amazon Beer são surpresas exóticas, também para estrangeiros. Desde março de 2014, a Forest Pilsen e a Forest Bacuri Fruit são produzidas e colocadas à venda no Reino Unido. "Começamos com essas duas cervejas no Reino Unido pois elas têm uma menor percentagem de álcool. Por isso são menos tributadas no Reino Unido", explica Caio. A cerveja é vendida por metade do preço no Reino Unido em relação ao Brasil, como os impostos brasileiros são muito mais elevados. Portanto, não é uma surpresa que a empresa queira expandir seu mercado externo. Desde o Reino Unido, a Amazon Beer já exporta para outros países europeus, como França e Alemanha.

a loja da cervejaria (FOTO: JULIANA SPINOLA/ESPECIAL PARA A BEER ART)

a loja da cervejaria (FOTO: JULIANA SPINOLA/ESPECIAL PARA A BEER ART)

"A nossa cerveja é exótica. Mas nós não queremos ser só a estranha, uma cerveja que as pessoas só tentam uma vez. Nós realmente queremos ser uma cerveja que é apreciada no dia a dia em todos os lugares ao redor do mundo." A próxima parada será os Estados Unidos. "Já estamos no processo para registrar nosso produto e já encontramos um distribuidor local." Nos EUA, cinco tipos de Amazon Beer serão introduzidos o mais rapidamente possível.

Para o mercado brasileiro, o início de 2015 trará novas surpresas. "Estamos estudando dois novos tipos de cervejas. Uma já está quase finalizada ", diz Caio. Ele sorri quando perguntado o que estará nessas novas cervejas. "Isso é um segredo, mas você pode ter certeza que vão ser ingredientes da nossa Floresta Amazônica".

o bar da amazon beer é um dos mais concorridos da Estação das Docas (FOTO: JULIANA SPINOLA/ESPECIAL PARA A BEER ART)

o bar da amazon beer é um dos mais concorridos da Estação das Docas (FOTO: JULIANA SPINOLA/ESPECIAL PARA A BEER ART)

Cervejarias

Cervejaria Colorado, tradição desde sempre

Por que a Colorado, com sua criatividade, é um dos pilares do renascimento da cerveja artesanal brasileira

Com seus ingredientes típicos nacionais, a Colorado é um embrião do que um dia será chamado de "escola cervejeira brasileira" (Foto: Rogério Volgarine/@cervejaecomida)

Com seus ingredientes típicos nacionais, a Colorado é um embrião do que um dia será chamado de "escola cervejeira brasileira" (Foto: Rogério Volgarine/@cervejaecomida)

Texto: Fabricio Santos – FullPintBR
Fotos: Rogério Volgarine @cervejaecomida
Beer Art 13 - dez/14

Ribeirão Preto − Próxima de completar 20 anos, a Cervejaria Colorado (que por pouco não foi chamada de Cervejaria Califórnia) tem este nome pelo fato de o Estado Norte-Americano do Colorado ter boas cervejas e excelente água − aliás, a cervejaria foi fundada em Ribeirão Preto por conta da fama da água e de a cidade ser culturalmente cervejeira − está novamente mudando de planta. Depois de anos e anos, o pulo é enorme, para uma planta de 4.000m² que certamente colocará a cervejaria num outro patamar.

A Colorado certamente deu início à criação da “escola cervejeira brasileira” com seus ingredientes típicos nacionais. Lembro bem que, lá pelos idos de 1995/1996 no então Brewpub na Avenida Independência a coqueluche era beber a cerveja “forte e para poucos” com rapadura. Ou ainda a inusitada cerveja com mel que deixava os incrédulos de nariz torcido. Elas estão aí até hoje: Indica (o maior sucesso da cervejaria e uma das cervejas mais premiadas do Brasil) e a Appia (a cerveja mais injustiçada de todas, que nem cerveja pode ser considerada por conta do mel de laranjeira que é de origem animal e nossa legislação engessada proíbe).

Appia, com a ousadia do mel de laranjeira como ingrediente (Foto: Rogério Volgarine/@cervejaecomida)

Appia, com a ousadia do mel de laranjeira como ingrediente (Foto: Rogério Volgarine/@cervejaecomida)

O primeiro grande marco da Colorado veio há uns 6 ou 7 anos atrás com o lançamento da Ithaca (que originalmente era para chamar-se Vintage, mas mais uma vez as burras barreiras da legislação proibiram este nome). Trata-se de uma Imperial Stout de 10,5% ABV que não para de ganhar prêmios desde então. Tem na sua composição a boa rapadura brasileira. Chegou até a usar uma outra roupagem, Guanabara, para o mercado exterior, mas sempre manteve a mesma essência. Pra quem não sabe, esta cerveja foi feita originalmente com o hoje mestre-cervejeiro da Invicta, Rodrigo Silveira, que me contou uma vez que a Ithaca “era desenvolvida e feita somente de madrugada, para que sua receita e feitio fossem mantidos guardados a sete chaves”.

A cozinha de cobre continua lá, para produções e, claro, para embelezar o local. Quem não tem uma foto na frente daquela cozinha? Quem não tem uma foto com Laércio Shiya, um “patrimônio” da Colorado e certamente um dos cervejeiros mais respeitados no Brasil.

Marcelo Carneiro, o fundador da Colorado (Foto: Divulgação)

Marcelo Carneiro, o fundador da Colorado (Foto: Divulgação)

Marcelo conta que sonhava em ficar rico com a cerveja, “mas não fiquei, quase desisti há uns anos atrás, mas a paixão pela cerveja e as amizades que fiz não me deixam mais ficar longe da Colorado”.

E não deixa mesmo. A Cervejaria chegou até a ter presidente e conselho, que acabou extinto e fez com que o Marcelo voltasse ao comando total de lá. A paixão dele é tão grande que recentemente publiquei um vídeo revelando quem estava por trás da fantasia de urso no Ipa Day: adivinha? E estava uns 40 graus fora daquela roupa, imagina dentro... Eu tenho um grande apreço pela Colorado, escrever este texto me traz somente boas lembranças. Afinal esta cervejaria faz parte do meu início nas puro maltes da vida e eu só fui me tocar muito tempo depois que participei do começo da cerveja artesanal em Ribeirão Preto. Hoje os planos de voo do urso são ousados: lançaram no fim de 2013 a cerveja do Titãs (uma Brown Ale com laranja); fizeram uma colaborativa com a Antares − o gente boníssima Leo Ferrari (dono da Antares) trouxe pessoalmente o lúpulo argentino usado num dry hopping de Vixnu −; outra colaborativa com o pessoal da Tupiniquim de Porto Alegre-RS e com o mestre-cervejeiro da Nøgne Ø e vem aí mais uma colaborativa com a Saint Feuillien. Estas duas últimas, aliás, são de um estilo inédito na Colorado, Saison.

Não é de hoje que a maioria dos experts em cerveja brasileiros consideram a Colorado como um dos pilares cervejeiros nacionais e, quando e se um dia existir uma “escola brasileira” os louros devem ser colocados primeiramente na cabeça de Marcelo, que contra leis alemãs e brasileiras (sem ser um fora da lei, é claro) galga um degrau por dia em rota de colisão iminente e constante com o sucesso. Como já disse pessoalmente pra ele: não é fácil ser dono da maior microcervejaria brasileira.

Clique na foto para ver mais imagens da galeria (Crédito: Rogério Volgarine/@cervejaecomida)

NOMES CURIOSOS

  • Por pouco não foi escolhido como nome "Cervejaria Califórnia", outro Estado norte-americano
  • A Ithaca, um dos primeiros sucessos da Colorado, deveria se chamar Vintage, mas a burocracia impediu
  • Para o mercado exterior, a Ithaca tem outro nome, Guanabara

Endereço: Rua Minas, 394, Campos Elíseos − Ribeirão Preto

Site: www.cervejariacolorado.com.br

Cervejarias

Wäls, ouro de Minas

Conheça a trajetória da premiada cervejaria mineira Wäls, reconhecida internacionalmente

Cervejarias

Invicta, de 1.000 amargores às 6 da tarde

Invicta é a mais jovem, porém mais surpreendente, representante de um município de rica tradição cervejeira, Ribeirão Preto

A 6 o'clock e a Sexta-Feira foram produzidas na Invicta com Shane Welch, da Sixpoint (Foto: Rogério Volgarine, @cervejaecomida/Especial para a Beer Art)  

A 6 o'clock e a Sexta-Feira foram produzidas na Invicta com Shane Welch, da Sixpoint (Foto: Rogério Volgarine, @cervejaecomida/Especial para a Beer Art)  

Texto: Fabricio Santos - FullPintBR
Fotos: Rogério Volgarine @cervejaecomida
Beer Art 11 - out/14

Ribeirão Preto (SP) - Levando em consideração a forte tradição cervejeira de Ribeirão Preto (SP), a Cervejaria Invicta ainda era pra ser um embrião. E deixemos no campo do “era” mesmo, pois a história marcante e precoce dos primeiros três anos recém completados traz à tona um carrossel em espiral explosiva: várias e várias medalhas, mais de 10 rótulos em linha constante e ainda um bar em frente, que deixa você provar isto tudo ali, fresquinho, recém tirado do tanque.

A experiência nos ensina que a melhor cerveja é aquela de que você vê a chaminé da fábrica. O que dizer de um bar em que você vê a cozinha que fez a cerveja que você está bebendo? Sempre com pelo menos três estilos diferentes nas torneiras, você ainda encontra ali toda a linha da cervejaria e muitas outras cervejas nacionais e importadas. Pão de malte no cardápio, joelho de porco defumado na própria cozinha do bar... Mimos difíceis de encontrar em uma cervejaria!

Rodrigo Silveira, que começou como prático da Colorado e passou por outras cervejarias, imprime o seu estilo em lançamentos com o da 1000 IBU (Foto: Rogério Volgarine, @cervejaecomida/Especial para a Beer Art) 

Rodrigo Silveira, que começou como prático da Colorado e passou por outras cervejarias, imprime o seu estilo em lançamentos com o da 1000 IBU (Foto: Rogério Volgarine, @cervejaecomida/Especial para a Beer Art) 

Voltando à história da Invicta, que na verdade começou muitos anos antes de existir: seu proprietário e mestre cervejeiro Rodrigo Silveira começou no ofício bem lá atrás, como prático na hoje “concorrente” (entre aspas, por se tratarem na verdade de grandes parceiros e amigos) Cervejaria Colorado – um dos ícones da cerveja artesanal brasileira – no começo dos anos 2000. De lá partiu para respirar, já como mestre cervejeiro, ares maiores: integrou a equipe da Schincariol (hoje Brasil Kirin) e lá “pegou o jeito” de grandes produções e grandes resultados. Já com a bagagem pronta pra voltar pra Ribeirão Preto, Rodrigo ainda passou um tempo trabalhando na Cervejaria Dama, de Piracicaba/SP, e logo depois fundou com seu tio a Invicta.

Timidamente, mas com grandes investimentos, começava a cervejaria, com dois pares de tanques (hoje são mais de 10) e logo de cara produzindo uma Imperial IPA, entre as melhores nacionais até hoje.

Passou o tempo, e vierem então lançamentos em garrafas, como a IBA (India Black Ale) feita e forma surpreendente, quando a cervejaria previamente enviou kits para blogueiros e experts do setor e fez o lançamento com pessoas abrindo pela primeira vez garrafas desde Fortaleza até Porto Alegre.

Aliás, a Invicta é bem conhecida não só pelas excelentes cervejas, mas também pelas grandes sacadas: Rodrigo teve a sagacidade de lançar a 1000 IBU de uma forma incrível, que chamou a atenção pra valer, pra uma cerveja que merece: difícil encontrar um amante de lupuladas que não tenha este rótulo no seu TOP3.

Produções ciganas já foram (e ainda são) feitas nas dependências da Invicta: 2 Cabeças, Júpiter e, mais recentemente, rótulos como Cafuza e Green Dream das paulistanas STP e Noturna engordam a lista.

Antes disso, vale registrar que é a única cervejaria que produz cervejas pra uma banda de rock, a safada e deliciosa Velhas Virgens, de maneira que a banda participa das criações – na verdade as receitas são do cervejeiro caseiro e baixista da banda Tuca Paiva – e desenvolve a cerveja para a banda e não apenas troca o rótulo. As 3 já produzidas até hoje (English IPA, Wit com casca de limão cravo e Brown Ale com baunilha) são exclusivas das Velhas e retratam bem o que a banda quer para o seu público: trazer pessoas que só bebem main streams para o mundo das especiais.

Se o leitor ainda me permite: todo ano faço uma cerveja comemorativa de aniversário do Blog. Estou com a do quinto ano já em desenvolvimento na Invicta. As 3 últimas, aliás, foram feitas lá também, incluindo a última que levou café Jacu na receita. Um sucesso!

Mais recentemente, Rodrigo foi convidado a ser vice-presidente na América Latina da Global Association of Craft Beer Brewers (Associação Global dos Cervejeiros produtores de Cerveja Artesanal). Além de ser uma enorme honra, rendeu-lhe bons frutos: “Até hoje não consigo acreditar que tive em minha cozinha um dos maiores e melhores cervejeiros do mundo, produzindo comigo a sexta-feira e 6 o’clock”, comenta Rodrigo, citando Shane Welch, que brassou em Ribeirão Preto as duas cervejas pela primeira vez. A 6 o’clock inclusive entrou para a linha da cervejaria e permanece como uma das mais cotadas, ao lado da 1000 IBU.

Bavarian IPA feita com a flor Damiana contou com o apoio da sommelier Amanda Reitenbach (Foto: Rogério Volgarine, @cervejaecomida/Especial para a Beer Art) 

Bavarian IPA feita com a flor Damiana contou com o apoio da sommelier Amanda Reitenbach (Foto: Rogério Volgarine, @cervejaecomida/Especial para a Beer Art) 

A Invicta lançou agora comemorando seus 3 anos a cerveja batizada pela própria cervejaria como uma Bavarian IPA − somente lúpulos germânicos entram na receita. A cerveja ainda tem uma peculiaridade: foi feita com uma flor conhecida como Damiana, que segundo as crenças indígenas na América Central confere vigor sexual! A cerveja contou com o apoio da sommelier Amanda Reitenbach para dar um toque feminino à receita.

A Marzen vencedora do 5º Concurso da Acerva Paulista (Foto: Reprodução)

A Marzen vencedora do 5º Concurso da Acerva Paulista (Foto: Reprodução)

Mais recentemente, a Invicta produziu a Oktoberfest Marzen Bier vencedora do 5º Concurso da Acerva Paulista, a Invicta Oktober.

No plano futuro da cervejaria está agora reinventar a receita da Imperial Stout, passando de 9 para 10% ABV e firmando-a como uma das também melhores Imperiais Stouts no Brasil. O crescimento por lá não para. O prédio está apertado já. Grandes novidades virão. Talvez por isto a tag usada pela cervejaria seja sempre #invictos. Talvez aí esteja o segredo do nome: pessoas que sabem o que fazem, com bons equipamentos, grande reconhecimento e uma carga de experiência incrível. Esta é a mais jovem, porém mais surpreendente cervejaria de Ribeirão Preto.

Já vi pessoas cometendo a infelicidade em afirmar que o cervejeiro não é parte essencial de uma cervejaria. Ledo engano. Ao meu ver, inclusive, as mãos do cervejeiro é que forma o tão misterioso “terroir” de uma cerveja/cervejaria. Quando o dono é o cervejeiro, a facilidade de manter a identidade sensorial e da qualidade sempre é mais latente.

Não é em vão o slogan: “Nosso segredo é todo seu”. Aproveite!

Veja galeria com mais fotos da Invicta, por Rogério Volgarine @cervejaecomida (clique na imagem para ver a seguinte)

Endereço da Invicta: Av. do Café, 1365 - Vila Amelia, Ribeirão Preto (SP)

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Bamberg, paulista com sotaque alemão

Estabelecida em Votorantim, a Bamberg é a mais premiada seguidora da tradição germânica no Brasil

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O bar do polo paulistano de Pinheiros que fabrica a sua própria cerveja

Cervejarias

Das Bier!

Cervejaria concebida para saciar clientes de pesque-pague se tornou atração principal

O projeto era fazer um brewpub mas a aceitação levou a família Schmitt a ampliar o negócio e instalar fábrica (Foto: Ricardo Jaeger/Beer Art)

O projeto era fazer um brewpub mas a aceitação levou a família Schmitt a ampliar o negócio e instalar fábrica (Foto: Ricardo Jaeger/Beer Art)

ALTAIR NOBRE (textos) e
RICARDO JAEGER (fotos) 
Beer Art 8 - jul 2014

Gaspar (SC) - De início, o propósito era saciar a sede dos clientes do pesque-pague. Nas pausas do embate com os peixes, eles comprovaram a qualidade do chope produzido ali, no interior de Gaspar (SC), município de influência alemã no Vale do Itajaí.

Inaugurada em 16 de dezembro de 2006, com festa para a qual foi convidada a população do Belchior Alto, a Das Bier logo superou em relevância as demais atrações daquela propriedade com paisagem rural. Nasceu com a restauração do casarão construído no início do século 20 (1901-1903) por Antônio Bernardo Haendchen, pioneiro desse bairro com cascatas e outros pontos turísticos.

À frente dos negócios no século 21, a Família Schmitt, descendente do patriarca, propôs-se a agregar valor aos empreendimentos, sem abandonar as tradições. Com nome germânico (traduzido, quer dizer "A Cerveja"), a cervejaria recebe investimento constante para melhor servir e receber turistas e clientes.

A perspectiva da cervejaria impôs uma guinada na trajetória profissional de Leandro (Foto: Ricardo Jaeger/Beer Art)

A perspectiva da cervejaria impôs uma guinada na trajetória profissional de Leandro (Foto: Ricardo Jaeger/Beer Art)

"O projeto era fazer um brewpub para os clientes do pesque-pague, que existe aqui há 18 anos. Pelo aumento da demanda, a gente foi percebendo que valia a pena investir na cervejaria", explica um dos integrantes da família, Leandro Schmitt, na operação do negócio há quatro anos. A perspectiva da Das Bier impôs uma guinada na trajetória profissional de Leandro, que trabalhava no Paraná e voltou para Santa Catarina a fim de assumir a gerência da cervejaria.

Souza, que trabalhou em cervejarias grandes, vê vantagens de controle de qualidade nas pequenas (Foto: Ricardo Jaeger/Beer Art)

Souza, que trabalhou em cervejarias grandes, vê vantagens de controle de qualidade nas pequenas (Foto: Ricardo Jaeger/Beer Art)

E o que a Das Bier tem de diferente em relação às demais artesanais? O cervejeiro Antônio Soares de Souza, com sotaque pernambucano, responde: "A alma daqui é a água, de poço artesiano, os equipamentos muito bons", diz, para em seguida acrescentar, sorrindo: "e os donos, que deixam a gente trabalhar". Ali é produzida uma variedade de tipos de cerveja, entre eles Pilsen, Weiss, Braunes Ales, Pale Ale e Strong. Aos 7 anos de atividade na Das Bier, Souza acrescenta no currículo 17 de Brahma, 5 de Continental e 1 de Schincariol.

Qual a diferença entre exercer o ofício em uma cervejaria grande e em uma pequena? "Nas pequenas, você consegue ver todo o processo, do esmagamento do malte até a filtração. A vantagem é poder corrigir rapidamente algum problema, assim que constatado, e ter mais controle sobre a qualidade da matéria-prima", explica Souza.

Variedade da produção inclui Pilsen, Weiss, Braunes Ales, Pale Ale e Strong (Ricardo Jaeger/Beer Art)

Variedade da produção inclui Pilsen, Weiss, Braunes Ales, Pale Ale e Strong (Ricardo Jaeger/Beer Art)

Como tornou costume à época do Festival Brasileiro da Cerveja, da vizinha Blumenau, produz cervejas colaborativas − e criativas. A Beer Art acompanhou a produção de uma dessas, em 14 de março deste ano. Na ocasião, em conjunto com a Bodebrown e com a Morada Cia Etílica, houve a brassagem de uma Kölsch − estilo da região da Colônia (Alemanha) − com 15% de centeio, em lugar do trigo como complemento da cevada. Já disponível no bar da cervejaria e no Kneipe (pub alemão localizado no Shopping Park Blumenau), a Roggen Kölsch é uma mostra de que, mesmo com respeito pelas origens, a Das Bier é aberta a experimentações.


Serviço

  • O quê: restaurante e bar da cervejaria Das Bier
  • Quando: de 4ª a 6ª das 17h às 24h, sábado das 15h às 24h e domingo das 11h às 19h
  • Onde: Rua Bonifácio Haendchen, 5.311, Belchior Alto - Gaspar/SC
  • Fone: (47) 3397-8600 Email: contato@dasbier.com.br

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O mestre-cervejeiro cuida do "pulmão" da Baden Baden (Foto: Rodrigo Cavalheiro/Beer Art)

O mestre-cervejeiro cuida do "pulmão" da Baden Baden (Foto: Rodrigo Cavalheiro/Beer Art)

Rodrigo Cavalheiro
(Texto, fotos e vídeo)
Beer Art 3 - dez 2013

Campos do Jordão (SP) - São 9h em Campos do Jordão, e um cheiro leve de bolo caseiro sai da cozinha da cervejaria Baden Baden, numa colina com pinheiros, passarinhos e outras referências bucólicas. Os primeiros turistas do dia descobrem, ainda na recepção, que não poderão fazer fotos ou vídeos dentro da fábrica quando Marcus Dapper abre a tampa de um tanque prateado batizado de "pulmão". O odor se adensa, como se um fogão à lenha estivesse dentro do cilindro e dali fosse sair uma fornada. De certa forma, vai. Só que engarrafada e em uma escala que faz o lema da casa, "Cerveja feita à mão", parecer uma homenagem à origens, a esta identidade de "coisa do interior" que a Baden Baden cultiva.

No "forno" (o nome técnico da cozinha é "sala de brassagem") está um lote de Pilsen, a linha mais vendida da cervejaria, criada em 1999 e dona de prêmios internacionais que têm aumentado a curiosidade sobre ela. Questionado sobre o "segredo" para a boa reputação entre crítica e público, Dapper destrói qualquer expectativa em torno de uma receita escondida a sete chaves.

"Compramos o malte de empresas conhecidas, o lúpulo também. A água daqui é boa sim, mas hoje, com tratamento a custo mais baixo, se consegue a mesma qualidade em outros lugares. Estar em uma região fria também não é um trunfo em si. Atrai turistas, mas não ajuda a produzir cerveja", desmitifica.

Não por acaso, há fábricas abrindo no Nordeste em localidades que em nada lembram a verde Baden Baden original, cidade de 50 mil habitantes no sul da Alemanha. Os grandes fabricantes estão de olho em subsídios estatais e em mão de obra barata que compensam com folga corrigir o alto teor de sais da fonte da região, por exemplo.

Paixão e disciplina

são os ingredientes

Foto: Rodrigo Cavalheiro/Beer Art

Foto: Rodrigo Cavalheiro/Beer Art

Se a Baden Baden tivesse uma receita que justificasse a aura de mistério sentida por quem visita a fábrica, diz o cervejeiro, ela teria menos a ver com criatividade, e mais com disciplina. É preciso chegar à fábrica cedo e conferir o "hemograma" de cada lote. Detectar variações surpreendentes a tempo e corrigi-las. Fazer com que cada remessa seja a cópia fiel da anterior. Que cada gole se pareça àquele que conquistou o cliente em sua primeira visita a Campos do Jordão, naquele fim de semana inesquecível no melhor hotel da cidade.

"Diria que é preciso misturar dois ingredientes: paixão e disciplina", resume.

"Paixão porque lidamos com fermento, que é algo vivo. Às vezes ele vai dormir tarde na noite anterior, dorme de calça jeans, demora para acordar de manhã, tem mau humor. Se nós estamos com sono, tomamos um café ou um chimarrão para acordar. Temos instrumentos para fazer o mesmo se está 'sonolenta' a cerveja", compara o gaúcho de Porto Alegre, que ouve as mesmas piadas, sobre a boa vida de passar o dia bebendo cerveja ou por que não tem barriga, quando visita a família.

Esta correção de rumo no produto em parte é feita com testes sensoriais, o que na boca dos turistas vira "provinha". O cervejeiro degusta a amostra para saber se aquele tanque está de acordo com o padrão. Por precaução, Dapper toma um café da manhã reforçado, com frutas, e não marca compromissos em que tenha que dirigir logo após os cerca de 10 goles matinais. São as pitadas de paixão, que interferem na vida pessoal.

A disciplina que Dapper cita como ingrediente essencial ‒ há obsessão por limpeza, organização e automação ‒, é um trunfo da casa, difícil de alcançar em cervejarias menores. A Baden Baden tem capacidade para produzir 160 mil litros por mês e pega carona em uma rede de distribuição que coloca suas garrafas em todas as casas do Sudeste especializadas em cervejas gourmet, bem como em grandes mercados com seções de cervejas especiais na região.

Esta injeção de sobriedade em escala industrial ocorreu em 2007, quando a Brasil Kirin (cuja principal cerveja é a Nova Schin) comprou a fábrica. O negócio aguçou a exigência por cumprimento de metas, modernizou o maquinário. Em uma microcervejaria com know-how de grande, a produção dobrou. "Há mais condição de produzir cerveja com regularidade no sabor. O laboratório, por exemplo, tinha metade do tamanho. Agora temos uma pequena fortuna em equipamento sobre uma mesa para fazer testes. Esta é a vantagem de pertencer a um grupo grande", aponta Dapper, que acumula as funções de chef e chefe.

A "concorrência"

veio para ajudar

Como gerente da fábrica, este gremista domina a parte de gestão de pessoal e logística. As garrafas vão primeiro para a sede da Brasil Kirin em Itu, onde um só tanque de cerveja "não gourmet" tem capacidade para mais de 1 milhão de litros. Por isso a Baden Baden, sustenta ele, ainda usa o lema "feita à mão" ‒ cada lote, umas 5 mil garrafas, tem supervisão humana.

Quarto cervejeiro da história da Baden Baden, Dapper não perde o sono com a multiplicação de marcas gourmet, pelo contrário. Brinda o boom dos últimos seis anos, as experiências caseiras e a criação de micro e nanocervejarias. Isso torna mais populares as cervejas especiais, um universo que ele adora por fermentar uma camaradagem que não existe entre as grandes marcas.

"Às vezes um maluco deixa duas garrafas na porta da fábrica para que a gente experimente e dê alguma opinião. Ele nem quer produzir em série, lucrar com isso. Só quer saber se exagerou em algum ingrediente, quer melhorar", lembra Dapper, rindo da pitada de amadorismo.

Macus Dapper explica em vídeo de 1 minuto e meio
a diferença entre cervejeiro, cervejólogo e cervechato